{"id":11118,"date":"2019-02-12T12:07:41","date_gmt":"2019-02-12T14:07:41","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornaldaconstrucaocivil.com.br\/?p=11118"},"modified":"2019-02-12T12:07:41","modified_gmt":"2019-02-12T14:07:41","slug":"artigo-a-agua-esta-acabando","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornaldaconstrucaocivil.com.br\/?p=11118","title":{"rendered":"Artigo: A \u00e1gua est\u00e1 acabando?"},"content":{"rendered":"<div>\n<p><span style=\"color: #000080;\"><em>Por Juliana Baladelli Ribeiro <\/em><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #993300;\">Fevereiro, 2019<\/span> &#8211; Uma boa not\u00edcia: n\u00e3o, a \u00e1gua n\u00e3o est\u00e1 acabando. N\u00e3o existe um \u201cralo\u201d por onde a \u00e1gua saia do planeta Terra. Mas a \u00e1gua dispon\u00edvel para o consumo humano, em qualidade e quantidade suficiente, essa sim pode entrar em extin\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A demanda por \u00e1gua doce est\u00e1 aumentando e ela est\u00e1 ficando mais escassa, com menor qualidade, como relatou recentemente a Unesco. A mudan\u00e7a do clima est\u00e1 provocando maior impacto no ciclo hidrol\u00f3gico, com eventos clim\u00e1ticos extremos mais frequentes, causando enchentes e alagamentos em diversas regi\u00f5es, assim como estiagens e dificuldade no acesso \u00e0 \u00e1gua em outras. A falta de \u00e1gua representa um risco econ\u00f4mico, riscos \u00e0 seguran\u00e7a alimentar e \u00e0 sa\u00fade humana. A \u00e1gua pode ficar cada vez mais cara e seu acesso mais restrito, provocando conflitos de interesse e disputa pelo seu uso.<\/p>\n<figure id=\"attachment_11119\" aria-describedby=\"caption-attachment-11119\" style=\"width: 201px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-11119\" src=\"https:\/\/www.jornaldaconstrucaocivil.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/JULIANA-201x300.jpg\" alt=\"\" width=\"201\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/jornaldaconstrucaocivil.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/JULIANA-201x300.jpg 201w, https:\/\/jornaldaconstrucaocivil.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/JULIANA-768x1149.jpg 768w, https:\/\/jornaldaconstrucaocivil.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/JULIANA-685x1024.jpg 685w, https:\/\/jornaldaconstrucaocivil.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/JULIANA.jpg 779w\" sizes=\"auto, (max-width: 201px) 100vw, 201px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-11119\" class=\"wp-caption-text\">Juliana Baladelli Ribeiro \u00e9 bi\u00f3loga e analista de Solu\u00e7\u00f5es baseadas na Natureza da Funda\u00e7\u00e3o Grupo Botic\u00e1rio<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">As metas estabelecidas pelo Brasil no Acordo de Paris incluem a restaura\u00e7\u00e3o de 12 milh\u00f5es de hectares de floresta. Em termos de adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 mudan\u00e7a do clima e pensando na natureza como solu\u00e7\u00e3o, saber onde plantar esses 12 milh\u00f5es de hectares faz uma grande diferen\u00e7a. A restaura\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica \u00e9 uma forma muito estrat\u00e9gica de usar os recursos naturais para atingir as metas globais e melhorar a qualidade de vida da popula\u00e7\u00e3o brasileira, especialmente considerando o aumento de resili\u00eancia \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e a reten\u00e7\u00e3o de sedimentos que chegariam aos rios, com melhoria da qualidade h\u00eddrica e conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade por meio do estabelecimento de corredores ecol\u00f3gicos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O relat\u00f3rio da Unesco denominado \u201cSolu\u00e7\u00f5es baseadas na Natureza para a gest\u00e3o da \u00e1gua\u201d, lan\u00e7ado em 2018, aponta a combina\u00e7\u00e3o de infraestrutura verde e cinza como op\u00e7\u00e3o para redu\u00e7\u00e3o de custos e redu\u00e7\u00e3o geral de riscos. A implementa\u00e7\u00e3o de Solu\u00e7\u00f5es baseadas na Natureza para a gest\u00e3o de inunda\u00e7\u00f5es \u2013 que garantam a infiltra\u00e7\u00e3o de \u00e1gua na terra e reduzam o escoamento superficial de \u00e1gua \u2013 \u00e9 totalmente coerente com a cria\u00e7\u00e3o de parques lineares, estrat\u00e9gia defendida pela Funda\u00e7\u00e3o Grupo Botic\u00e1rio para adapta\u00e7\u00e3o de munic\u00edpios aos impactos causados por chuvas extremas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estudos lan\u00e7ados nos \u00faltimos meses, com a participa\u00e7\u00e3o da institui\u00e7\u00e3o, apontam que o investimento em infraestrutura natural promove a reten\u00e7\u00e3o dos sedimentos que chegariam at\u00e9 os rios, reduzindo assim os custos de tratamento de \u00e1gua, al\u00e9m de aumentar a vida \u00fatil do manancial, retardando em muitos anos a necessidade de buscar outras fontes de abastecimento. Resultados semelhantes foram observados nas bacias do Cantareira, em S\u00e3o Paulo; Guandu, no Rio de Janeiro; e do Rio Vermelho, em Santa Catarina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O investimento na natureza traz benef\u00edcios relacionados ao controle de enchentes e aumento de resili\u00eancia que se estendem a outras localidades. Tal estrat\u00e9gia, representaria custos evitados na ordem de quase R$2 milh\u00f5es de reais por ano aos catarinenses. Em S\u00e3o Paulo, a recupera\u00e7\u00e3o florestal de 4 mil hectares e a preserva\u00e7\u00e3o das \u00e1reas naturais existentes levaria a uma redu\u00e7\u00e3o de R$ 219 milh\u00f5es em custos com o tratamento de \u00e1gua ao longo de tr\u00eas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso porque a natureza n\u00e3o v\u00ea fronteiras: os benef\u00edcios de uma \u00e1rea preservada podem ser sentidos a quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia. O relat\u00f3rio da Unesco tamb\u00e9m aborda esse conceito de integralidade dos servi\u00e7os ecossist\u00eamicos, mostrando que a chuva que abastece a Bacia do Rio da Prata vem da evapotranspira\u00e7\u00e3o da Bacia Amaz\u00f4nica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 preciso lembrar que as Solu\u00e7\u00f5es baseadas na Natureza trazem ainda benef\u00edcios adicionais, como o sequestro de carbono, que reduz os gases de efeito estufa na atmosfera e os impactos da mudan\u00e7a do clima, maior desafio que a nossa sociedade ter\u00e1 de enfrentar nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas. A implanta\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es baseadas na infraestrutura natural permitem a expans\u00e3o de habitats para a biodiversidade, combatendo as duas principais causas de press\u00e3o sobre a biodiversidade apontadas pela Conven\u00e7\u00e3o da ONU sobre Biodiversidade, que s\u00e3o a degrada\u00e7\u00e3o de habitats e a mudan\u00e7a do clima.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As Solu\u00e7\u00f5es baseadas na Natureza dependem de ecossistemas saud\u00e1veis e somente a prote\u00e7\u00e3o dos ambientes naturais garante que poderemos contar com a natureza para nos ajudar a ter melhor qualidade de vida nos pr\u00f3ximos anos. A biodiversidade depende de n\u00f3s para que seja preservada, por\u00e9m n\u00f3s dependemos ainda mais da biodiversidade para garantir a vida no planeta, tal como conhecemos. Essa \u00e9 outra boa not\u00edcia: s\u00f3 depende de n\u00f3s mudar a forma como tratamos a natureza e o quanto poderemos contar com as solu\u00e7\u00f5es que ela nos oferece!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><span style=\"color: #993300;\">Juliana Baladelli Ribeiro<\/span> \u00e9 bi\u00f3loga e analista de Solu\u00e7\u00f5es baseadas na Natureza da Funda\u00e7\u00e3o Grupo Botic\u00e1rio.<\/em><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Juliana Baladelli Ribeiro Fevereiro, 2019 &#8211; Uma boa not\u00edcia: n\u00e3o, a \u00e1gua n\u00e3o est\u00e1 acabando. N\u00e3o existe um \u201cralo\u201d por onde a \u00e1gua saia do planeta Terra. Mas a \u00e1gua dispon\u00edvel para o consumo humano, em qualidade e quantidade suficiente, essa sim pode entrar em extin\u00e7\u00e3o. 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