{"id":17356,"date":"2021-09-05T14:21:54","date_gmt":"2021-09-05T17:21:54","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornaldaconstrucaocivil.com.br\/?p=17356"},"modified":"2021-09-05T14:21:54","modified_gmt":"2021-09-05T17:21:54","slug":"quatro-fatores-que-tornam-a-tarifa-de-energia-brasileira-a-segunda-mais-cara-do-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornaldaconstrucaocivil.com.br\/?p=17356","title":{"rendered":"Quatro fatores que tornam a tarifa de energia brasileira a segunda mais cara do mundo"},"content":{"rendered":"<div id=\"single-the-content\">\n<p><span style=\"color: #000000;\"><em>Por <a style=\"color: #000000;\" href=\"https:\/\/mab.org.br\/autor\/coletivo-de-comunicacao-mab-mg\/\">Coletivo de Comunica\u00e7\u00e3o MAB MG<\/a><\/em><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #ff0000;\">Setembro<\/span>, 2021 &#8211; Na \u00faltima semana, o ministro da Economia Paulo Guedes questionou \u201cqual o problema se energia brasileira ficar mais cara\u201d, minimizando a gravidade do aumento de 52% na bandeira tarif\u00e1ria. A previs\u00e3o \u00e9 de novos reajustes nos pr\u00f3ximos dias com manuten\u00e7\u00e3o da bandeira vermelha.<\/p>\n<p>A tarifa residencial do Brasil \u00e9 a segunda mais cara do mundo, atr\u00e1s apenas da Alemanha, de acordo como \u00faltimo balan\u00e7o da Ag\u00eancia Internacional de Energia \u2013 EIA (<span style=\"color: #0000ff;\"><a style=\"color: #0000ff;\" href=\"https:\/\/www.iea.org\/\">International Energy Angency<\/a>)<\/span>. Contraditoriamente a principal fonte de energia do pa\u00eds, a hidroeletricidade, \u00e9 abundante e barata de se produzir, j\u00e1 que a \u00e1gua \u00e9 gratuita.<\/p>\n<p>A t\u00edtulo de compara\u00e7\u00e3o, o balan\u00e7o mostra que a tarifa de luz da prov\u00edncia de Quebec, no Canad\u00e1, que tem uma matriz energ\u00e9tica muito parecida com a nacional, \u00e9 de R$ 350 por 1.000kWh, enquanto o consumidor do Brasil paga R$ 805.<\/p>\n<p>\u201cO pre\u00e7o extraordin\u00e1rio da luz causa um impacto desproporcional no or\u00e7amento da parcela mais pobre da sociedade, agravando a situa\u00e7\u00e3o de inseguran\u00e7a alimentar, que cresce durante a pandemia de Covid-19\u201d, afirma Gilberto Cervinski, da coordena\u00e7\u00e3o nacional do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB).<\/p>\n<p>Ele explica que, em alguns casos, as fam\u00edlias perdem o acesso \u00e0 energia por n\u00e3o conseguirem mais pagar a conta. Al\u00e9m disso, o custo da eletricidade desacelera os investimentos da ind\u00fastria e impacta a recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica do pa\u00eds, que est\u00e1 com a taxa de desemprego na ordem de 15% da popula\u00e7\u00e3o economicamente ativa.<\/p>\n<p>O setor el\u00e9trico tem justificado os sucessivos aumentos na conta de energia com a chamada crise h\u00eddrica, tentando atribuir a responsabilidade dos tarifa\u00e7os a S\u00e3o Pedro. Enquanto isso, especialistas questionam as estat\u00edsticas usadas pelo Operador Nacional do Sistema El\u00e9trico (ONS) e apontam outros fatores que elevam o custo da energia no Brasil. Conhe\u00e7a a seguir quatro deles:<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\">1 \u2013\u00a0<strong>Privatiza\u00e7\u00f5es do setor el\u00e9trico<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\">No final dos anos 90, o governo brasileiro promoveu uma grande reforma liberal no setor el\u00e9trico com a privatiza\u00e7\u00e3o de importantes companhias do segmento. Hoje, cerca de 60% dos ativos de energia el\u00e9trica no Brasil j\u00e1 foram vendidos. 82% da distribui\u00e7\u00e3o de energia j\u00e1 \u00e9 operada por empresas privadas e 40% das linhas de transmiss\u00e3o s\u00e3o privadas. \u00a0O argumento no in\u00edcio das privatiza\u00e7\u00f5es era de que elas tornariam o setor mais \u201ccompetitivo\u201d e eficiente, barateando as tarifas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O resultado dessa opera\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, foi oposto do prometido para a popula\u00e7\u00e3o. Na pr\u00e1tica, quando empresas privadas come\u00e7aram a vender energia a pre\u00e7os de mercado para as distribuidoras, houve sucessivos aumentos acima da infla\u00e7\u00e3o na tarifa final de luz.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a iniciativa privada pouco investiu no setor. Durante as duas d\u00e9cadas desse modelo mercantil, houve tr\u00eas grandes crises de oferta de energia com apag\u00f5es em 2001, 2015 e 2021, obrigando o governo a continuar a financiar a expans\u00e3o do sistema el\u00e9trico com recursos p\u00fablicos.<\/p>\n<p>No cen\u00e1rio atual, com mais privatiza\u00e7\u00e3o, a expectativa \u00e9 de mais aumentos na conta de energia. Com a venda da Eletrobras, que foi aprovada pelo Congresso Nacional no \u00faltimo m\u00eas de junho, a Federa\u00e7\u00e3o das Ind\u00fastrias do Estado de S\u00e3o Paulo (Fiesp) estima um custo adicional de R$ 400 bilh\u00f5es aos consumidores ao longo dos pr\u00f3ximos 30 anos.<\/p>\n<p>A previs\u00e3o \u00e9 feita a partir da constata\u00e7\u00e3o de que as companhias privadas praticam pre\u00e7os mais caros do que as companhias estatais que j\u00e1 tiveram os custos da constru\u00e7\u00e3o das suas usinas amortizados (financiados com dinheiro p\u00fablico). A Eletrobras, por exemplo, hoje vende 1.000 kWh de energia por R$ 65 para as distribuidoras, enquanto companhias privadas vendem os mesmos 1.000kwh por cerca de R$ 300, de acordo com notas t\u00e9cnicas da Ag\u00eancia Nacional de Energia El\u00e9trica (Aneel).<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong>2 \u2013 Alta lucratividade para os acionistas<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os elevados pre\u00e7os que s\u00e3o cobrados dos consumidores brasileiros na conta de energia financiam a alt\u00edssima rentabilidade das companhias do setor el\u00e9trico. De acordo com Gilberto Cervinski, os 15 grupos que s\u00e3o propriet\u00e1rios das usinas, linhas de transmiss\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o de energia no Brasil tiveram um lucro l\u00edquido de R$ 85,6 bilh\u00f5es entre os anos 2015 e 2019.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mesmo durante a crise do Covid-19, o setor segue maximizando os lucros dos acionistas, conforme explica Gustavo Teixeira, economista e assessor do Coletivo Nacional dos Eletricit\u00e1rios. \u201cEm 2020, as empresas do setor distribu\u00edram R$ 14 bilh\u00f5es em dividendos. Ou seja, mesmo em um momento de crise, a energia cara transfere renda de brasileiros, sobretudo dos mais pobres, para s\u00f3cios de multinacionais, grandes investidores institucionais\u201d, declarou Teixeira durante\u00a0<span style=\"color: #0000ff;\"><a style=\"color: #0000ff;\" href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=huh7lS7KTr0\">audi\u00eancia p\u00fablica<\/a><\/span>\u00a0sobre o pre\u00e7o da energia, que aconteceu na C\u00e2mara dos Deputados neste m\u00eas. No \u00faltimo ano, o setor el\u00e9trico foi o segundo mais lucrativo do pa\u00eds, perdendo apenas para os bancos.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong>3 \u2013 Subs\u00eddios para setores como o agroneg\u00f3cio e a minera\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um importante componente da conta de energia s\u00e3o os \u201cencargos\u201d, nos quais se inserem n\u00e3o apenas os tributos, mas tamb\u00e9m os subs\u00eddios que governo oferece para alguns setores da sociedade. A quest\u00e3o \u00e9 que, ao contr\u00e1rio do que se pode imaginar, a maior parte destes subs\u00eddios n\u00e3o s\u00e3o dedicados \u00e0 popula\u00e7\u00e3o de baixa renda e sim aos chamados \u201csetores\u00a0estrat\u00e9gicos\u201d. De acordo com o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (IDEC), 38% dos subs\u00eddios de energia s\u00e3o destinados a atividades rurais e de irriga\u00e7\u00e3o, o que contempla especialmente o agroneg\u00f3cio. Isso quer dizer que a popula\u00e7\u00e3o banca, atrav\u00e9s da conta de luz, parte dos custos das grandes corpora\u00e7\u00f5es internacionais que atuam no setor agr\u00edcola.<\/p>\n<p>Outro setor que tamb\u00e9m \u00e9 beneficiado com os subs\u00eddios \u00e9 o da minera\u00e7\u00e3o, que exporta produtos de baixo valor agregado, como ferro e alum\u00ednio, e deixa um rastro de destrui\u00e7\u00e3o nos territ\u00f3rios de onde extrai riquezas.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\">4 \u2013\u00a0<strong>Aumentos abusivos legitimados pelo discurso da seca<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\">Embora representantes do setor de energia aleguem que o Brasil vive a pior crise h\u00eddrica das \u00faltimas d\u00e9cadas, Vicente Andreu, estat\u00edstico pela Unicamp e ex-presidente da Ag\u00eancia Nacional das \u00c1guas (ANA), alega que os dados usados n\u00e3o s\u00e3o confirmados pelos institutos de clima e meteorologia do pa\u00eds. \u201cAfirmar que esta \u00e9 a pior seca do pa\u00eds em 91 anos \u00e9 falsifica\u00e7\u00e3o estat\u00edstica. O que existe \u00e9 uma opera\u00e7\u00e3o intencional que produz artificialmente essa situa\u00e7\u00e3o de escassez de \u00e1gua nos reservat\u00f3rios\u201d, afirmou o especialista durante audi\u00eancia na C\u00e2mara dos Deputados.<\/p>\n<p>Vicente afirma que, na verdade a atual crise h\u00eddrica est\u00e1 localizada na Bacia do Rio Paran\u00e1, que, de fato, \u00e9 muito importante para o setor el\u00e9trico. Segundo o estat\u00edstico, por\u00e9m, a situa\u00e7\u00e3o dos reservat\u00f3rios das usinas hidrel\u00e9tricas chega ao limite porque outras matrizes de energia (como a t\u00e9rmica ou a e\u00f3lica) n\u00e3o foram ativadas antes de se chegar ao cen\u00e1rio extremo que estamos vivendo nas usinas.<\/p>\n<p>\u201cEssa situa\u00e7\u00e3o acontece justamente porque os reservat\u00f3rios esvaziados justificam uma explos\u00e3o da tarifa com a bandeira vermelha, o que garante lucros muito interessante para o setor\u201d, afirma Andreu.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"post-content--tags\" style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Coletivo de Comunica\u00e7\u00e3o MAB MG Setembro, 2021 &#8211; Na \u00faltima semana, o ministro da Economia Paulo Guedes questionou \u201cqual o problema se energia brasileira ficar mais cara\u201d, minimizando a gravidade do aumento de 52% na bandeira tarif\u00e1ria. 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