{"id":18476,"date":"2022-01-25T13:41:54","date_gmt":"2022-01-25T16:41:54","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornaldaconstrucaocivil.com.br\/?p=18476"},"modified":"2022-01-25T13:41:54","modified_gmt":"2022-01-25T16:41:54","slug":"nota-tragedias-em-mg-o-resultado-de-um-modelo-que-produz-destruicao-e-morte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornaldaconstrucaocivil.com.br\/?p=18476","title":{"rendered":"Nota\/Trag\u00e9dias em MG: O resultado de um modelo que produz destrui\u00e7\u00e3o e morte"},"content":{"rendered":"<div id=\"single-the-content\">\n<div class=\"author\">por\u00a0<span style=\"color: #0000ff;\"><a style=\"color: #0000ff;\" href=\"https:\/\/mab.org.br\/autor\/movimento-dos-atingidos-por-barragens\/\">Movimento dos Atingidos por Barragens<\/a><\/span><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #993300;\">Janeiro<\/span>, 2022 &#8211; Segundo relat\u00f3rio divulgado na segunda (10) pela Defesa Civil do estado, desde o in\u00edcio do per\u00edodo chuvoso, em 1\u00ba de outubro de 2021, as ocorr\u00eancias deixaram 3481 pessoas desabrigadas e outras 13.756 desalojadas. Tamb\u00e9m foram registradas 19 mortes provocadas pelas chuvas. A Defesa Civil informa que os \u00f3bitos ocorridos na trag\u00e9dia de Capit\u00f3lio n\u00e3o ser\u00e3o inclu\u00eddos no balan\u00e7o at\u00e9 que as investiga\u00e7\u00f5es sejam conclu\u00eddas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No domingo (09), segundo a Pol\u00edcia Rodovi\u00e1ria Federal, havia diversos pontos de interdi\u00e7\u00e3o na BR 040, BR 381, BR 352, BR 329, BR 262, BR 365, BR 259 e MGC 12, sendo 21 pontos de interdi\u00e7\u00e3o total e 61 pontos de interdi\u00e7\u00e3o parcial, entre rodovias estaduais e federais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O caos ambiental, social e econ\u00f4mico que anualmente provoca tantas v\u00edtimas no estado n\u00e3o \u00e9 algo novo. N\u00e3o \u00e9 por acaso que o centro hist\u00f3rico de Mariana, planejado na primeira metade do s\u00e9culo XVIII, foi colocado nas partes altas e longe do Rio Carmo. E assim s\u00e3o tantos outros exemplos. O problema das inunda\u00e7\u00f5es \u00e9 algo que vem preocupando os respons\u00e1veis pelo planejamento urbano desde que as cidades come\u00e7aram a se desenvolver.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os crimes agravados pelas condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas adversas, por\u00e9m, se aprofundam quando o interesse da especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria, da minera\u00e7\u00e3o, dos empreendimentos de gera\u00e7\u00e3o de energia, de uma agricultura predat\u00f3ria e de outras inciativas que priorizam o lucro encontram a coniv\u00eancia\u00a0do governo em diversas inst\u00e2ncia. Isso acontece quando o poder p\u00fablico negligencia quest\u00f5es ambientais relevantes e posterga o investimento em solu\u00e7\u00f5es para problemas t\u00e3o recorrentes. A situa\u00e7\u00e3o vivida pelas cidades alagadas em Minas Gerais \u00e9 agravada pela falta de pol\u00edticas p\u00fablicas b\u00e1sicas e de defesa social capazes de garantais moradia, saneamento e obras que evitariam trag\u00e9dias ambientais.<\/p>\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>A culpa n\u00e3o \u00e9 da chuva. \u00c9 responsabilidade hist\u00f3rica de quem constr\u00f3i um modelo de desenvolvimento que produz a morte como resultado corriqueiro. Nas regi\u00f5es atingidas por barragens, seja por empreendimentos de gera\u00e7\u00e3o de energia ou armazenamento de \u00e1gua, seja por rompimentos criminosos, o resultado desta trag\u00e9dia ganha novas amplitudes, danos e preju\u00edzos.<\/p><\/blockquote>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><strong>Bacia do rio Jequitinhonha e Pardo<\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desde final de dezembro de 2021, quando as chuvas se intensificaram em Minas Gerais, a regi\u00e3o semi\u00e1rida na bacia do Jequitinhonha e do Rio Pardo de Minas \u2013 que em geral sofre com a escassez de chuvas \u2013 vive grandes transtornos causados pelos alagamentos.<\/p>\n<p>S\u00e3o centenas de fam\u00edlias que perderam suas casas e sua produ\u00e7\u00e3o e est\u00e3o abrigadas em escolas. Em Indaiabira, na regi\u00e3o do Rio Pardo, as fam\u00edlias perderam todos os seus equipamentos de trabalho rural, produ\u00e7\u00e3o e muitas casas tamb\u00e9m foram danificadas ou destru\u00eddas.<\/p>\n<p>Em Salinas, a \u00e1gua entrou dentro da cidade e v\u00e1rias resid\u00eancias foram alagadas. Em todo Alto Rio Pardo houve muitas perdas com o transbordamento de \u00e1gua das barragens das hidrel\u00e9tricas Machado, Mineiros e outras.<\/p>\n<p>No Vale do Jequitinhonha, pr\u00f3ximo \u00e0 divisa da Bahia, os reservat\u00f3rios das usinas hidrel\u00e9tricas de Irap\u00e9 e do Set\u00fabal encheram mais do que o normal com as chuvas causando inunda\u00e7\u00f5es em quase toda a Bacia. Os alagamentos atingiram inclusive, vazanteiros e\u00a0ilheiros (moradores das ilhas no rio Jequitinhonha) que perderam toda sua produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, importante fonte de renda da economia local.<\/p>\n<p>Em Salto da Divisa, regi\u00e3o atingida pela Usina Hidrel\u00e9trica Itapebi, a infiltra\u00e7\u00e3o do len\u00e7ol fre\u00e1tico tem prejudicado mais de 200 fam\u00edlias. \u00c9 importante deixar claro que h\u00e1 uma necessidade de planejamento com a reconstru\u00e7\u00e3o do Estado como um todo e assist\u00eancia t\u00e9cnica rural para as fam\u00edlias que perderam sua produ\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m \u00e9 importante realizar uma fiscaliza\u00e7\u00e3o mais r\u00edgida nas barragens que est\u00e3o assoreadas e n\u00e3o conseguem acumular \u00e1gua na \u00e9poca das chuvas. No total, mais de mil fam\u00edlias foram atingidas e cerca de 300 est\u00e3o desabrigadas.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><strong>Bacia do rio Doce<\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desde a noite de s\u00e1bado (08), a comunidade de Mainart, subdistrito do munic\u00edpio de Mariana, sofre com a enchente que tomou a pra\u00e7a da comunidade e invadiu casas. O rio subiu na comunidade ap\u00f3s o comunicado da empresa Maynart Energ\u00e9tica, integrante do grupo Companhia Energ\u00e9tica Integrada (CEI), de que abriria a v\u00e1lvula de uma de suas barragens localizadas acima da comunidade. A localidade est\u00e1, atualmente, entre dois complexos hidrel\u00e9tricas de propriedade da empresa Novelis, que s\u00e3o operadas pela empresa Maynart Energ\u00e9tica\/CEI.<\/p>\n<p>O Estudo de Impacto Ambiental da barragem de Fuma\u00e7a (a \u00faltima delas a ser constru\u00edda, em 2003 abaixo de Mainart) indica que deveria ser feito um estudo ap\u00f3s a constru\u00e7\u00e3o da barragem para avaliar se a comunidade de Mainart poderia permanecer no mesmo local ou precisaria ser reassentada devido a poss\u00edveis inunda\u00e7\u00f5es. A empresa respons\u00e1vel pela barragem nunca apresentou este estudo \u00e0 popula\u00e7\u00e3o, apesar de in\u00fameras cobran\u00e7as. At\u00e9 a segunda feira (10), a empresa n\u00e3o havia prestado assist\u00eancia aos moradores da comunidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m disso, a \u00e1gua do rio Gualaxo do Sul, que recebe as \u00e1guas do rio Mainart, segue para os munic\u00edpios Acaiaca e Barra Longa, que, desde a madrugada do dia 08, sofrem com enchentes. Em Barra Longa, a situa\u00e7\u00e3o se agrava devido \u00e0 presen\u00e7a de rejeitos de minera\u00e7\u00e3o que continuam acumulados no Rio Carmo seis anos ap\u00f3s o rompimento da barragem de Fund\u00e3o, em Mariana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em Gesteira, distrito de Barra Longa, a igreja cat\u00f3lica da comunidade, que est\u00e1 em reforma sob a responsabilidade da Funda\u00e7\u00e3o Renova desde o rompimento da barragem de Fund\u00e3o, teve parte da torre destru\u00edda pelas chuvas. A situa\u00e7\u00e3o de toda a estrutura que faz parte do patrim\u00f4nio cultural da cidade est\u00e1 comprometida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em Ponte Nova, desde a noite de domingo (09), o rio Piranga est\u00e1 avan\u00e7ando pelas ruas e casas abaixo da UHE Brecha, que tem enchentes recorrentes.<\/p>\n<p>Nos munic\u00edpio de Raul Soares e no distrito Abre Campo (pertencente \u00e0 Granada), a situa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 s\u00e9ria. Pelo terceiro ano consecutivo, a popula\u00e7\u00e3o vive dias de medo e acumula perdas devido a enchentes pois as ruas das localidades s\u00e3o tomadas pelas \u00e1guas dos rios Matip\u00f3 e Santana, onde est\u00e3o instaladas duas barragens hidrel\u00e9tricas da empresa Brookfield\/Elera Renov\u00e1veis.<\/p>\n<p>Em Ouro Preto, no distrito de Ant\u00f4nio Pereira, onde est\u00e1 localizada a Barragem de rejeitos Doutor, de propriedade da Vale, a popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o dorme com medo do rompimento da estrutura que tem n\u00edvel de risco 1. A empresa alega que a barragem continua est\u00e1vel e est\u00e1 monitorando a situa\u00e7\u00e3o, mas a popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o se sente segura com as informa\u00e7\u00f5es fornecidas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Vale do A\u00e7o e no Vale do Rio Doce, as enchentes pioraram nesta segunda-feira (10). Governador Valadares j\u00e1 tem tr\u00eas bairros alagados: Aimor\u00e9s, Itueta e Resplendor. As UHE de Baguari (CEMIG, Neoenergia e Furnas) e a UHE Aimor\u00e9s (Vale e CEMIG) anunciaram que podem abrir as comportas por causa do volume da chuva, o que deve criar uma situa\u00e7\u00e3o ca\u00f3tica durante a semana.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><strong>Bacia do Paraopeba<\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Regi\u00e3o atingida pelo crime da Vale que matou 272 pessoas, a bacia do Paraopeba sofre com enchentes em Congonhas e regi\u00e3o. O munic\u00edpio de Congonhas, que fica a 89 quil\u00f4metros de Belo Horizonte, sofreu com\u00a0diversos alagamentos, deslizamentos, enchentes e transbordamento de rios que deixaram pelo menos 138 pessoas ilhadas ou desabrigadas, segundo dados preliminares. De acordo com a Defesa Civil da cidade, o n\u00famero total pode chegar a 400. Uma not\u00edcia de deslizamento na \u00e1rea da barragem Casa de Pedra, da Companhia Sider\u00fargica Nacional (CSN), tamb\u00e9m deixou a popula\u00e7\u00e3o em p\u00e2nico. Em caso de rompimento, os moradores do entorno teriam 30 segundos para fugir da morte. Ao todo, a popula\u00e7\u00e3o de Congonhas, de aproximadamente 54 mil habitantes, \u00e9 cercada por 24 barragens, sendo que 54% t\u00eam dano potencial associado considerado alto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na regi\u00e3o imediatamente atingida pelo rompimento da Barragem do C\u00f3rrego do Feij\u00e3o, cidades est\u00e3o embaixo d\u2019gua. 150 fam\u00edlias est\u00e3o desabrigadas em S\u00e3o Joaquim de Bicas, 150 em Juatuba, 200 em Citrol\u00e2ndia, bairro de Betim, 30 em M\u00e1rio Campos e 150 em Brumadinho. Ao menos 30% das fam\u00edlias perderam tudo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O MAB denuncia que o assoreamento do rio depois do rompimento da barragem C\u00f3rrego Feij\u00e3o aumenta o n\u00edvel das enchentes e a lama t\u00f3xica que vira poeira causa intoxica\u00e7\u00f5es e contamina\u00e7\u00e3o no solo. Muito dos atingidos tiveram seu aux\u00edlio financeiro emergencial bloqueado pela Vale e mais de 50 mil atingidos\/as n\u00e3o foram reconhecidos. O aux\u00edlio \u00e9 um direito conquistado para que os atingidos possam ter condi\u00e7\u00f5es m\u00ednimas em momentos como este. E todos continuam com medo na regi\u00e3o, pois tem outras barragens de \u00e1gua e rejeito em situa\u00e7\u00f5es de amea\u00e7a de romper, como a Barragem Serra Azul, Rio Manso, Varzea das Flores, entre outras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em Itatiaiu\u00e7u, cidade a 82 km de Belo Horizonte, as comunidades j\u00e1 estavam vivendo as consequ\u00eancias do acionamento do plano de emerg\u00eancia da barragem Serra Azul da ArcelorMittal, desde fevereiro de 2019. Mais de 200 fam\u00edlias foram desalojadas e outras 700 continuam morando nas comunidades amea\u00e7adas pela barragem em n\u00edvel 2 de emerg\u00eancia. Al\u00e9m disso, no ultimo dia 22 de dezembro, as comunidades denunciaram o vazamento de rejeitos de outra barragem pertencente \u00e0 Usiminas, mas a empresa n\u00e3o reconheceu o fato.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m de sofrer com a inseguran\u00e7a diante do risco provocado pelas barragens das sider\u00fargicas ArcelorMittal e Usiminas, muitas fam\u00edlias das comunidades de Lagoa das Flores e Vieiras ficaram isoladas por conta da inunda\u00e7\u00e3o da \u00e1rea.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A situa\u00e7\u00e3o de p\u00e2nico, especialmente em per\u00edodos chuvosos, \u00e9 uma constante na vida dos moradores do munic\u00edpio desde fevereiro de 2019, quando houve o acionamento do plano de emerg\u00eancia da barragem Serra Azul, ap\u00f3s a sider\u00fargica ArcelorMittal detectar uma mudan\u00e7a no n\u00edvel de seguran\u00e7a da estrutura. Na ocasi\u00e3o, 200 fam\u00edlias foram evacuadas e outras 700 continuaram morando abaixo da barragem, amea\u00e7adas pela estrutura que tem n\u00edvel 2 de emerg\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O isolamento das comunidades caracteriza um claro descaso com os atingidos que est\u00e3o extremamente expostos em caso de rompimento das barragens. \u201cA mineradora ArcelorMittal, inclusive, se negou a disponibilizar maquin\u00e1rio para obras emergenciais solicitadas pela prefeitura do munic\u00edpio<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><strong>BARRAGENS TIDAS COMO SEGURAS ATERRORIZAM MORADORES<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na noite de domingo (09), a prefeitura de Par\u00e1 de Minas, a 83 quil\u00f4metros de Belo Horizonte (MG), emitiu alerta m\u00e1ximo para os moradores do entorno da Barragem do Carioca, que faz parte da PCH da usina Santanense. De acordo com Defesa Civil do munic\u00edpio, a estrutura apresenta alto risco de rompimento e pode atingir ainda a zona rural das cidades de Pitangui, On\u00e7a de Pitangui, S\u00e3o Jo\u00e3o de Cima, Casquilho de Baixo, Casquilho de Cima e Concei\u00e7\u00e3o do Par\u00e1.<\/p>\n<p>No comunicado feito pelo 10\u00b0 Batalh\u00e3o do Corpo de Bombeiros por volta das 19 horas, a orienta\u00e7\u00e3o oficial era que os moradores que vivem abaixo da hidrel\u00e9trica deixassem suas casas imediatamente. Em v\u00eddeos que circulam pelas redes sociais, um bombeiro alerta a popula\u00e7\u00e3o sobre o n\u00edvel do rio S\u00e3o Jo\u00e3o que pode subir at\u00e9 60 metros.<\/p>\n<p>No come\u00e7o da noite, a barragem que triplicou seu volume, de acordo com informa\u00e7\u00f5es da prefeitura, j\u00e1 vertia \u00e1gua pelas laterais, inundando fazendas do entorno. Em caso de transbordamento, a \u00e1gua pode atingir as casas de moradores mais pr\u00f3ximos em apenas 20 minutos e n\u00e3o plano de evacua\u00e7\u00e3o previamente organizado.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><strong>Os crimes das mineradoras se repetem<\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">No s\u00e1bado (08) uma montanha de rejeitos de minera\u00e7\u00e3o desabou sobre uma barragem de \u00e1gua (Dique Lisa) e provocou um transbordamento que atingiu a BR-040, que ficou fechada por dois dias, provocando preju\u00edzos sociais, ambientais e econ\u00f4micos para o territ\u00f3rio. Uma pessoa que passava na rodovia no momento ficou ferida. Segundo a Defesa Civil, seis fam\u00edlias tiveram que ser evacuadas al\u00e9m de um Centro de Reabilita\u00e7\u00e3o de Animais Silvestres (CRAS) do IBAMA com 400 animais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma fam\u00edlia do munic\u00edpio de Paula Candido que viajava para o aeroporto de Confins desviou sua rota para escapar do bloqueio na 040 e teve seu carro atingido por um deslizamento de terra enquanto passavam pela Serra da Moeda. Todos os cinco passageiros morreram: pai, m\u00e3e e duas crian\u00e7as de 3 e 6 anos. As mortes n\u00e3o ser\u00e3o contabilizadas no vazamento da mineradora, mas certamente seriam evitadas se n\u00e3o fosse a negligencia da empresa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A barragem que transbordou fica na Mina Pau Branco, de propriedade da empresa Vallourec, uma transnacional de origem francesa que, al\u00e9m da minera\u00e7\u00e3o, atua no setor de siderurgia. A barragem, que, segundo relatos de um diretor da Agencia Nacional de Minera\u00e7\u00e3o (ANM), estava quase rompendo, teve seu n\u00edvel se seguran\u00e7a elevado para 3 (risco eminente de rompimento) e posteriormente reduzido para 2. A incerteza da popula\u00e7\u00e3o segue, j\u00e1 que a mina foi vistoriada a menos de um m\u00eas estava com a documenta\u00e7\u00e3o em dia. Esse \u00e9 mais um desastre tecnol\u00f3gico causado pela postura criminosa das mineradoras se repete antes que tenham sido punidos os respons\u00e1veis pelos crimes em Mariana e Brumadinho 6 e 3 anos atr\u00e1s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O MAB se mobiliza para avaliar o n\u00famero de atingidos e os danos causados pelas enchentes em \u00e1reas de barragens. O movimento j\u00e1 se articulou com entidades que entraram nessa segunda-feira (10) com uma a\u00e7\u00e3o na justi\u00e7a demandando o bloqueio imediato da distribui\u00e7\u00e3o de lucros da companhia e de remessas de recursos ou transfer\u00eancias de ativos para matriz na Fran\u00e7a.<\/p>\n<p>A a\u00e7\u00e3o tem objetivo de impedir que a empresa fuja de suas responsabilidades e pagamentos de futuras indeniza\u00e7\u00f5es e repara\u00e7\u00f5es pelos poss\u00edveis danos causados, evitando que se repita a impunidade que existe em outros casos semelhantes.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><strong>Uma realidade que denuncia o modelo econ\u00f4mico e a negligencia de governos e empresas<\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tantas perdas humanas e preju\u00edzos de toda ordem que devem aumentar nas pr\u00f3ximas semanas fazem parte de uma macabra tradi\u00e7\u00e3o de irresponsabilidade solid\u00e1ria entre os governos constitu\u00eddos e as empresas privadas que exploram o trabalho e os bens materiais do povo brasileiro. Somente no relato acima, est\u00e3o envolvidas 12 grandes empresas, a maioria de capital internacional, que exploram e deixam o rastro de destrui\u00e7\u00e3o construindo barragens que geram uma inseguran\u00e7a sist\u00eamica que pioram nas \u00e9pocas de chuvas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma afirma\u00e7\u00e3o b\u00e1sica a se fazer \u00e9 que n\u00e3o existe seguran\u00e7a nas barragens no Brasil e, mais uma vez, Minas Gerais \u00e9 exemplo disto. Todas as estruturas, mesmo as que n\u00e3o est\u00e3o oficialmente monitoradas por risco de rompimentos, causam danos quando, por exemplo, abrem as comportas. Os preju\u00edzos causados incluem o assoreamento dos rios e c\u00f3rregos e o pavor gerado em milh\u00f5es de pessoas que vivem com algum grau de dano psicol\u00f3gico por medo dos efeitos desta inseguran\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 fundamental o fortalecimento do papel do Estado neste processo fazendo investimentos em estruturas de fiscaliza\u00e7\u00e3o de barramentos e outros empreendimentos, no fortalecimento da Defesa Civil, do Corpo de Bombeiros e de outros \u00f3rg\u00e3os fundamentais nestes momentos e na aprova\u00e7\u00e3o e correta implementa\u00e7\u00e3o de leis que garantam a seguran\u00e7a para os atingidos que moram ou venham a morar perto de barragens, que puna os respons\u00e1veis por crimes desta natureza e garanta a repara\u00e7\u00e3o integral dos danos causados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste contexto, o MAB continua o seu trabalho de denunciar as muitas situa\u00e7\u00f5es que colocam a vida de milh\u00f5es de pessoas em risco, de motivar a\u00e7\u00f5es de solidariedade para acolher e diminuir o sofrimento de tantas pessoas, de levar informa\u00e7\u00e3o segura e organizar a luta por direitos durante o momento das inunda\u00e7\u00f5es, mas, sobretudo, depois em que as popula\u00e7\u00f5es s\u00e3o praticamente abandonadas a pr\u00f3pria sorte sem amparo do estado e das empresas para garantir moradia e as condi\u00e7\u00f5es para reconstruir a vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em meio a todos estes esfor\u00e7os de solidariedade, o Movimento \u00e9 atacado pelo Governador Romeu Zema (Novo), que, ao inv\u00e9s de anunciar a\u00e7\u00f5es efetivas para resolver esta calamidade, ataca os movimentos ambientalistas e todos aqueles que questionam este modelo de minera\u00e7\u00e3o e gera\u00e7\u00e3o de energia que provoca desastres anuais. O governador, aliado de primeira hora de Jair Bolsonaro (PL), atua desviando a aten\u00e7\u00e3o dos fatos, alimentando um discurso de \u00f3dio enquanto atua para desmobilizar o Estado e desmontar as leis ambientais que poderiam ser grandes aliados neste dif\u00edcil momento da vida minera.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O MAB e demais organiza\u00e7\u00f5es da luta por direitos n\u00e3o recuam e se mant\u00e9m ao lado do povo brasileiro nestes dif\u00edceis momentos que ser\u00e3o superados com solidariedade e luta.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"post-content--tags\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"post-content--section-title mr-15\">TAGS:<\/span><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>por\u00a0Movimento dos Atingidos por Barragens &nbsp; Janeiro, 2022 &#8211; Segundo relat\u00f3rio divulgado na segunda (10) pela Defesa Civil do estado, desde o in\u00edcio do per\u00edodo chuvoso, em 1\u00ba de outubro de 2021, as ocorr\u00eancias deixaram 3481 pessoas desabrigadas e outras 13.756 desalojadas. Tamb\u00e9m foram registradas 19 mortes provocadas pelas chuvas. 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