{"id":23733,"date":"2024-05-08T08:31:38","date_gmt":"2024-05-08T11:31:38","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornaldaconstrucaocivil.com.br\/?p=23733"},"modified":"2024-05-08T08:35:22","modified_gmt":"2024-05-08T11:35:22","slug":"enchentes-no-rs-reservatorios-como-os-das-hidreletricas-podem-reduzir-velocidade-de-escoamento-recarregando-as-reservas-subterraneas-de-agua-e-reduzindo-efeitos-das-enchentes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornaldaconstrucaocivil.com.br\/?p=23733","title":{"rendered":"Enchentes no RS: Reservat\u00f3rios como os das hidrel\u00e9tricas podem reduzir velocidade de escoamento, recarregando as reservas subterr\u00e2neas de \u00e1gua e reduzindo efeitos das enchentes"},"content":{"rendered":"<p><em>Por Ivo Augusto de Abreu Pugnaloni<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #993300;\">Maio<\/span>, 2024 &#8211; Em 9 de fevereiro passado publiquei um artigo sobre pesquisa da Universidade da California que estudou mais de 170 mil po\u00e7os em 40 pa\u00edses e encontrou dados alarmantes sobre o rebaixamento do n\u00edvel das reservas de \u00e1gua subterr\u00e2nea em todos os continentes. Entre as poss\u00edveis causas, o aumento da velocidade de escoamento das \u00e1guas das chuvas, devido ao desenfreado aumento das monoculturas de alimentos, implantada com a derrubada completa das matas, n\u00e3o apenas ciliares, mas da vegeta\u00e7\u00e3o original de todas as \u00e1reas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Menos de 3 meses depois, uma cat\u00e1strofe catacl\u00edsmica ocorre nos Pampas Brasileiros enquanto uma cat\u00e1strofe menos \u201cfotog\u00eanica\u201d para os padr\u00f5es da imprensa corporativa, ocorre na Amaz\u00f4nia. Nos dois casos, n\u00e3o precisa ser engenheiro agr\u00f4nomo, nem eletricista, civil, nem economista, nem soci\u00f3logo, nem de esquerda ou direita para concluir que h\u00e1 muita burrice sendo feita em todos os cantos do planeta. E isso est\u00e1 sendo feito a n\u00edvel mundial tanto em nome do \u201cconceito do politicamente correto\u201d, como contra esse conceito, pela estupidez da nega\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia em tudo por parte dos ignorantes que, pelas redes sociais passaram a orgulhar-se da pr\u00f3pria ignor\u00e2ncia. E \u201csimpricidade\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A Cat\u00e1strofe que poderia ter sido evitada<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No caso das enchentes no Rio Grande do Sul, o exemplo \u00e9 mais claro: o presidente passado fiel ao seu credo de extrema direita, mas que tamb\u00e9m agrada \u00e1 direita dita \u201ccivilizada\u201d, deixou no Or\u00e7amento da Uni\u00e3o para 2024, apenas incr\u00edveis 26 mil reais na rubrica \u201catendimento de desastres naturais\u201d. Mas gastou, apenas com os cart\u00f5es corporativos da presid\u00eancia espantosos 45 milh\u00f5es de reais em quatro anos. Inclu\u00eddos a\u00ed, milhares de litros de gasolina e cerveja para animar motociatas e passeios de jet sky para agradar os que s\u00e3o crentes de sua origem divina e messi\u00e2nica. Enquanto isso v\u00e1rias regi\u00f5es e cidades do mundo, como as do Vale do Itaja\u00ed, em Santa Catarina, Curitiba, Rio de Janeiro e S\u00e3o Paulo usam em mormente em \u00e1reas urbanas, reservat\u00f3rios de amortecimento de cheias com efici\u00eancia comprovada, mas ainda muito pouco projetados e constru\u00eddos. Principalmente nas zonas rurais.<\/p>\n<figure id=\"attachment_23737\" aria-describedby=\"caption-attachment-23737\" style=\"width: 184px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-23737\" src=\"https:\/\/www.jornaldaconstrucaocivil.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/unnamed-1.jpg\" alt=\"\" width=\"184\" height=\"234\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-23737\" class=\"wp-caption-text\">Ivo Augusto<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso prova que a falta de novas usinas hidrel\u00e9tricas com reservat\u00f3rios n\u00e3o apenas provoca o encarecimento da energia, mas deixa regi\u00f5es inteiras \u00e0 merc\u00ea de inunda\u00e7\u00f5es que est\u00e3o previstas h\u00e1 anos. Mas n\u00e3o apenas reservat\u00f3rios de hidrel\u00e9tricas, mas de \u00e1gua para abastecimento de cidades, produ\u00e7\u00e3o de pescado, para uso em irriga\u00e7\u00e3o com \u00e1gua de superf\u00edcie e n\u00e3o das reservas subterr\u00e2neas no plantio de cereais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O papel das \u201cdemon\u00edacas\u201d hidrel\u00e9tricas nas estiagens e nas enchentes<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cDemonizadas\u201d no Brasil pelos que usam o \u201cpoliticamente correto\u201d de forma muit\u00edssimo incorreta, as usinas hidrel\u00e9tricas, quando deixam de ser constru\u00eddas num local apropriado s\u00e3o substitu\u00eddas por termel\u00e9tricas pertencentes a grupos econ\u00f4micos familiares que monopolizaram a produ\u00e7\u00e3o de energia durante as estiagens. Afinal um dos dois tipos precisa ser usado quando a energia solar acaba \u00e0s 18 hs: ou as hidrel\u00e9tricas, que usam \u00e1gua corrente ou as termoel\u00e9tricas, que queimam e destroem combust\u00edveis f\u00f3sseis poluentes, caros e importadas e produzem energia 10 vezes mais cara do que as primeiras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para entender o papel das \u201chidros\u201d basta pensar na quantidade de \u00e1gua doce que caiu em forma de chuvas durante 135 anos que elas existem no Brasil e foi retida por mais tempo sem aumentar os caudais descontrolados, que foram provocados pelo desmatamento irracional em busca do lucro m\u00e1ximo dos neg\u00f3cios agr\u00edcolas. Quantos quintilh\u00f5es de metros c\u00fabicos de \u00e1gua ca\u00eddas dos c\u00e9us de forma torrencial, ter\u00e3o ido descansar tranquilos, domados, no fundo dos reservat\u00f3rios das hidrel\u00e9tricas e dos sistemas de abastecimento das cidades? E mais ainda: quanta \u00e1gua, nesse momento em que voc\u00ea l\u00ea esse artigo est\u00e1 percolando silenciosamente, pelo meio da argila, do arenito, do calc\u00e1reo, do pr\u00f3prio basalto e do diab\u00e1sio, sendo assim purificada, para s\u00f3 ent\u00e3o descer e ir descansar por mil\u00eanios nos limp\u00edssimos reservat\u00f3rios subterr\u00e2neos dos aqu\u00edferos Guarani, As hidrel\u00e9tricas, t\u00e3o combatidas, ainda iriam nos permitir gerar energia el\u00e9trica \u00e0 noite para complementar a energia solar e e\u00f3lica que n\u00e3o funcionam nesse longo per\u00edodo de 16 horas, hoje produzida por termel\u00e9tricas f\u00f3sseis poluentes e 10 vezes mais caras. As hidrel\u00e9tricas pequenas, micro, mini, m\u00e9dias e grandes, nos permitem abastecer cidades, criar muito pescado, irrigar a agricultura com m\u00e9todos muito mais eficientes e baratos do que o custoso piv\u00f4 central, grande consumidor de energia. Ao contr\u00e1rio do que afirmam os que criticam as hidrel\u00e9tricas para estimular o investimento em outras fontes, a constru\u00e7\u00e3o de novos reservat\u00f3rios \u00e9 extremamente ben\u00e9fica a todas as fontes renov\u00e1veis pois serve de bateria natural para elas al\u00e9m de fazer muito bem ao ambiente e \u00e0s pessoas, por v\u00e1rias raz\u00f5es, mostradas aqui.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O individualismo mata.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O esfor\u00e7o coletivo preserva. Reduzir a velocidade de escoamento superficial da \u00e1gua numa vasta regi\u00e3o plana como o Pampa n\u00e3o \u00e9 um sonho imposs\u00edvel. Basta usar ao mesmo tempo a ci\u00eancia, a engenharia, a t\u00e9cnica e acima de tudo, grande dose de interesse p\u00fablico, de senso de coletividade. Se a vegeta\u00e7\u00e3o original for removida, a velocidade de escoamento vai aumentar, pois menos \u00e1gua ser\u00e1 absorvida para descer ao subsolo, formar arbustos, gram\u00edneas e \u00e1rvores adaptadas h\u00e1 bilh\u00f5es de anos naquela terra. Ao contr\u00e1rio do que pensam os que n\u00e3o gostam de pensar muito, as hidrel\u00e9tricas n\u00e3o s\u00e3o culpadas por enchentes, se forem bem constru\u00eddas. \u00c9 exatamente o contr\u00e1rio, pois se n\u00e3o fossem as poucas hidrel\u00e9tricas implantadas no Rio Grande do Sul, o recurso h\u00eddrico nelas contido estaria correndo direto para o Oceano Atl\u00e2ntico, com ainda mais velocidade, fora de qualquer possibilidade, mesmo m\u00ednima, de controle. Sem haver obriga\u00e7\u00e3o de que os governos estaduais usem maior rigor cient\u00edfico ao licenciar ambientalmente o uso da terra ar\u00e1vel, tudo isso vai se repetir, v\u00e1rias vezes a cada 11 ou 13 anos. Pois \u00e9 isso o que mostram as s\u00e9ries hist\u00f3ricas das aflu\u00eancias em cada uma das 1.960 esta\u00e7\u00f5es fluviom\u00e9tricas (medem n\u00edveis e\/ou vaz\u00f5es de rios) e 2.840 esta\u00e7\u00f5es pluviom\u00e9tricas (medem chuvas). existentes no Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deveria a lei prever que cada por\u00e7\u00e3o de terra desmatada desde o in\u00edcio da ocupa\u00e7\u00e3o original de uma regi\u00e3o, precisa haver compensa\u00e7\u00e3o com a constru\u00e7\u00e3o, pelo atual propriet\u00e1rio, de pequenos a\u00e7udes e tanques de peixe, que reduzissem a velocidade de escoamento e armazenassem \u00e1gua em milhares de propriedades, propiciando tempo para sua evapora\u00e7\u00e3o e percola\u00e7\u00e3o. Ao inv\u00e9s de consumir recursos e onerar o dono, esses tanques dariam a ele nova fonte de renda e mais empregos na regi\u00e3o, reduzindo o \u00eaxodo rural, que est\u00e1 destruindo pa\u00edses como Portugal, It\u00e1lia e Espanha. A \u00e1gua deve ter da humanidade que destruiu a vegeta\u00e7\u00e3o para produzir alimento, o dever de construir reservat\u00f3rios superficiais que permitam que ela possa percolar e descer \u00e0s reservas subterr\u00e2neas e n\u00e3o apenas correr c\u00e9leres para o mar, causando enchentes e eros\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O rebaixamento do n\u00edvel das reservas subterr\u00e2neas mundiais.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Numa interessante reportagem da CNN Brasil, um estudo realizado pela Universidade da California, em mais de 40 pa\u00edses, com um universo de 140 mil po\u00e7os, entre 2000 e 2022, provou que o n\u00edvel das reservas subterr\u00e2neas diminuiu pelo menos10 cm ao ano em 36% dos po\u00e7os pesquisados ou 50.400 po\u00e7os. O estudo aponta como principais causas da espantosa redu\u00e7\u00e3o de n\u00edvel e de volume reservado, o exagerado aumento dos processos de irriga\u00e7\u00e3o que usam \u00e1gua subterr\u00e2nea, bem como a altera\u00e7\u00e3o no regime de chuvas, como se evidenciou agora no Rio Grande do Sul e na Amaz\u00f4nia. A foto da esquerda \u00e9 a original da mat\u00e9ria da CNN, que pode ser acessada nesse link. \u00c9 pena que, aqueles que apenas olharem a foto e s\u00f3 lerem a manchete, poder\u00e3o pensar que culpa da queda do n\u00edvel dos aqu\u00edferos \u00e9 dos pequenos agricultores, que usam sistemas quase artesanais como o da imagem. E n\u00e3o os grandes projetos como os da foto da direita, com centenas de piv\u00f4s centrais, que em vez de ter seus pr\u00f3prios reservat\u00f3rios como fontes de \u00e1gua superficial usam 60% do volume das outorgas de agua subterr\u00e2nea limpa e cristalina, que n\u00e3o precisava ser usada para irrigar plantas acostumadas por bilh\u00f5es de anos a consumir agua superficial, cuja composi\u00e7\u00e3o \u00e9 totalmente diferente e apropriada. A foto da esquerda no Amazonas, lembra os locutores dos telejornais, que durante o apag\u00e3o el\u00e9trico de 2001, insinuavam que a culpa da redu\u00e7\u00e3o for\u00e7ada de 25% do consumo de energia das ind\u00fastrias ordenado pelo governo federal n\u00e3o era da falta de planejamento por parte dos respons\u00e1veis e pela falta proposital de investimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A culpa do povo brasileiro, \u201cque gasta muita \u00e1gua sem necessidade\u201d.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enquanto esse julgamento era emitido, as cenas eram de uma dona de casa, lavando um carro com mangueira, na porta da garagem, vestida com um roup\u00e3o, chinela havaianas e com \u201cbobs\u201d de enrolar o cabelo. \u00c9 not\u00f3ria, atualmente, a mesma dose de mentira sendo aplicada nas pessoas tirando proveito da falta de informa\u00e7\u00e3o verdadeira. E assim como nunca vimos os locutores da TV reconhecerem que o apag\u00e3o aconteceu porque os governos federais simplesmente \u201cesqueceram\u201d a necessidade de constru\u00e7\u00e3o de novas hidrel\u00e9tricas no Brasil, n\u00e3o se ver\u00e1 interesse em apurar em profundidade nada que valha a pena. Fernando Henrique, para resolver o problema de falta de novas hidrel\u00e9tricas que ele mesmo criou, lan\u00e7ou em 1999 o Programa Priorit\u00e1rio de Termoel\u00e9tricas (PPT), no qual seriam empresas privadas a abastecer esse enorme mercado. E isso, apesar de ter sido alertado por professores e especialistas como Luiz Pinguelli Rosa, Ildo Sauer, Roberto D\u2019Araujo e outros. Ocorreu que as empresas privadas n\u00e3o compraram a ideia do PPT.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O planejamento da escassez, ou \u201cUnindo o in\u00fatil ao desagrad\u00e1vel\u201d<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com essa negativa dos estrangeiros em investir nas termoel\u00e9tricas do PPT, a Petrobr\u00e1s foi chamada a faz\u00ea-lo. Mas tamb\u00e9m os familiares do ex-presidente Sarney e o grupo do chamado \u201crei do G\u00e1s\u201d, Carlos Suarez, um dos donos da Construtora OAS. Breve eles terminaram por ser os \u201cher\u00f3is\u201d que mais lucrariam, pois, afinal operando a n\u00edvel particular acabaram livrando os brasileiros do risco de passar por um novo apag\u00e3o. Risco que eles mesmo provocaram, pela sua \u201cprovidencial\u201d ina\u00e7\u00e3o quando atuavam a n\u00edvel p\u00fablico. Com o PPT, os presidentes Fernando Henrique e Lula, (\u00e9 verdade que Lula \u201cherdou\u201d o Programa j\u00e1 em andamento) instalaram 14 GW dessas usinas termoel\u00e9tricas f\u00f3sseis, uma Itaipu de Polui\u00e7\u00e3o \u2013 em lugar de construir hidrel\u00e9tricas que armazenassem \u00e1gua doce, reduzissem a velocidade de seu escoamento, possu\u00edssem reservas adicionais de capacidade para estocagem, evitando ou reduzindo os efeitos de grandes secas e grandes enchentes. Para dar uma ideia do que foi o PPT em 2004 e 2005, devido ao racionamento, a expans\u00e3o da capacidade total do sistema no Brasil, com o 3\u00ba maior potencial hidrel\u00e9trico do mundo se deu em mais de 70% por meio de termel\u00e9tricas f\u00f3sseis. Em 2010, depois do leil\u00e3o de 2008, essa expans\u00e3o por t\u00e9rmicas, chegou a 48%, tudo isso se constituindo num aumento para l\u00e1 de suspeito, quando se considera que ter existido um proposital bloqueio \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de novas hidrel\u00e9tricas por meio de erros nas diretrizes do leil\u00e3o. Se somarmos todos os aumentos anuais das t\u00e9rmicas entre 1995 e 2023 a pot\u00eancia total instalada das termel\u00e9tricas cresceu 664% contra apenas 240% das hidrel\u00e9tricas. A mesma evolu\u00e7\u00e3o ocorrendo nas emiss\u00f5es de gases de efeito estufa e particulados, sujando nossa matriz que era 85% limpa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O monop\u00f3lio da \u00e1gua doce<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A foto da direita mostra o rio Itaguari, no Oeste da Bahia, cheio de projetos de irriga\u00e7\u00e3o onde as outorgas de \u00e1gua concedidas pela ANA foram tantas e de tal montante que o rio perdeu 90% de sua vaz\u00e3o. Isso prova que as outorgas de \u00e1gua subterr\u00e2nea e superficial para grandes projetos agr\u00edcolas est\u00e3o simplesmente consumindo quase toda a \u00e1gua dos aqu\u00edferos e len\u00e7\u00f3is fre\u00e1ticos. N\u00e3o s\u00e3o os pequenos agricultores familiares que tem esse papel. Para piorar a situa\u00e7\u00e3o, a \u00e1gua que cai do c\u00e9u, sem hidrel\u00e9tricas para reserv\u00e1-la, vai direto para o mar e n\u00e3o alimenta as reservas subterr\u00e2neas. E assim, deixa de produzir infiltra\u00e7\u00e3o suficiente que possa compensar o volume que a irriga\u00e7\u00e3o retira dos len\u00e7\u00f3is e dos aqu\u00edferos. \u00c9 evidente que, se essa \u00e1gua toda, que hoje \u00e9 perdida indo direta para o mar, fosse armazenada nos lagos de reservat\u00f3rios, os fen\u00f4menos da percola\u00e7\u00e3o e da evapora\u00e7\u00e3o da maior superf\u00edcie dos lagos formados iriam alimentar as reservas subterr\u00e2neas. Elas, as \u00e1guas, estariam fazendo aquilo que Guilherme Arantes diz, \u201cvoltando, humildes, para o fundo da terra\u201d, como diz a linda sua can\u00e7\u00e3o de 1981, mas extremamente atual, \u201cPlaneta \u00c1gua\u201d. Para ter uma ideia da quantidade de \u00e1gua que \u00e9 retirada para irriga\u00e7\u00e3o, a EMBRAPA mostra em seu site que, em 2017, por exemplo, esse valor representou 52% do total; j\u00e1 em 2016, foi igual a 46,2%. Esse valor varia muito entre as regi\u00f5es hidrogr\u00e1ficas. Por exemplo, em 2006, as outorgas para irriga\u00e7\u00e3o representaram em m\u00e9dia 46,7% do total. Na regi\u00e3o do S\u00e3o Francisco, elas representaram 68,2%. J\u00e1 na Bacia do Rio Paran\u00e1, regi\u00e3o que possui a maior capacidade instalada de gera\u00e7\u00e3o de energia, existem 176 usinas hidrel\u00e9tricas, inclusive Itaipu, Furnas, Porto Primavera e Marimbondo. Nessa bacia as outorgas para irriga\u00e7\u00e3o representaram apenas 21,9% do total.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao contr\u00e1rio do que diz o t\u00edtulo da mat\u00e9ria, a \u00e1gua n\u00e3o est\u00e1 \u201cacabando\u201d no mundo, mas sim, indo mais r\u00e1pido para o mar do que poderia ir se n\u00e3o desmat\u00e1ssemos o solo para a monocultura da soja e do milho e o pastoreio, ou us\u00e1ssemos as hidrel\u00e9tricas para reserv\u00e1-la, mitigando os efeitos da irriga\u00e7\u00e3o com \u00e1gua subterr\u00e2nea, um recurso que nos possibilita alimentos mais baratos, ter menos gente passando fome, vivendo mal e ficando doente. Por isso, algu\u00e9m que hoje seja contra hidrel\u00e9tricas precisa saber que n\u00e3o querer armazenar \u00e1gua doce, &#8211; um recurso precioso, algo que j\u00e1 falta no mundo todo -, est\u00e1 na pr\u00e1tica querendo secar o planeta, elevar sua temperatura, pois deixar a chuva cair e n\u00e3o guardar a \u00e1gua mas deixa-la correr para o mar, est\u00e1 cometendo quase um crime de genoc\u00eddio a longo ou m\u00e9dio prazo. Ainda mais constatando que popula\u00e7\u00e3o brasileira dobrou entre 1980 e 2022. Teimar o governo em n\u00e3o construir novas hidrel\u00e9tricas at\u00e9 como formas de armazenar \u00e1gua doce, ou em promover propositalmente o n\u00e3o aproveitamento do potencial h\u00eddrico e hidr\u00e1ulico da Uni\u00e3o, seria um absurdo. Negar-se a usar a \u00e1gua, seja para gerar energia, seja para abastecer \u00e0s cidades e \u00e0s reservas subterr\u00e2neas do pa\u00eds, enquanto a popula\u00e7\u00e3o e o consumo de \u00e1gua e de energia crescem, s\u00f3 poderia ser resultado de ingenuidade ou m\u00e1 gest\u00e3o das riquezas do pa\u00eds. Ou de uma omiss\u00e3o que, um dia, poderia at\u00e9 mesmo, vir a ser considerada criminosa como agora poder\u00e1 ocorrer n\u00e3o apenas com o Governo do Rio Grande do Sul, mas de qualquer estado e da Uni\u00e3o, se a Justi\u00e7a realmente puder funcionar no Brasil. Ainda mais quando se considera que tal \u201cproibi\u00e7\u00e3o\u201d de constru\u00e7\u00e3o de hidrel\u00e9tricas n\u00e3o existe em lei, mas apenas nos \u00e9 imposta por organiza\u00e7\u00f5es ditas \u201cn\u00e3o-governamentais\u201d em sua maioria estrangeiras, subvencionadas por empresas estrangeiras do ramo de extra\u00e7\u00e3o, produ\u00e7\u00e3o e importa\u00e7\u00e3o de combust\u00edveis queimados por termel\u00e9tricas f\u00f3sseis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A Terra \u00e9 o Planeta \u00c1gua.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pela convoca\u00e7\u00e3o da confer\u00eancia nacional de energia. A Terra deve ser defendida por todos e ela ser\u00e1, desde que tudo que for importante seja pensado e planejado com ampla participa\u00e7\u00e3o popular e n\u00e3o feito de qualquer jeito, cada um por si, como se o mundo n\u00e3o fosse de todos. E pior ainda, segundo a vontade de quem tenha mais dinheiro para comprar mais espa\u00e7o publicit\u00e1rio e desacreditar \u00e0s demais opini\u00f5es e fontes de energia, de conhecimento e de alimentos. Nesse sentido, a promo\u00e7\u00e3o pelo governo federal de confer\u00eancias nacionais de energia e recursos minerais a cada dois anos, preparadas nos estados e munic\u00edpios, tal como existem as confer\u00eancias nacionais de meio ambiente, sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, economia solid\u00e1ria, comunica\u00e7\u00e3o e assist\u00eancia e mais sessenta outras, seria o caminho certo. Precisamos que o planejamento do nosso crescimento econ\u00f4mico, social e energ\u00e9tico, seja feito de forma estrat\u00e9gica, com uma pr\u00e1tica cooperativa e n\u00e3o competitiva-, visando apenas o m\u00e1ximo lucro hoje, sem qualquer preocupa\u00e7\u00e3o com o futuro dos nossos filhos e netos. Fica para voc\u00eas, mais uma vez, o convite para ouvir \u201cPlaneta \u00c1gua\u201d. de Guilherme Arantes, m\u00fasica de 1981.Preste aten\u00e7\u00e3o \u00e0 prof\u00e9tica e magnifica letra. Saboreie a melodia emocionante. E pense bem no que est\u00e1 acontecendo \u00e0 nossa volta.<\/p>\n<p><span style=\"color: #993300;\"><em>*Ivo Augusto de Abreu Pugnaloni \u00e9 engenheiro eletricista. Foi presidente da COPEL DISTRIBUI\u00c7\u00c3O, e diretor da COPEL SA, do Instituto Estrat\u00e9gico do Setor El\u00e9trico ( ILUMINA), membro da equipe do Instituto CIDADANIA que formulou as \u201cDiretrizes do Setor El\u00e9trico\u201d do candidato Luiz In\u00e1cio Lula da Silva em 2002, fundador e primeiro presidente da ABRAPCH, associa\u00e7\u00e3o brasileira de pequenas hidrel\u00e9tricas, professor do Centro Federal de Educa\u00e7\u00e3o Tecnol\u00f3gica do Paran\u00e1, Secret\u00e1rio Adjunto de Transportes de Curitiba e membro do Conselho Estadual de Ci\u00eancia e Tecnologia. Hoje \u00e9 presidente da ENERCONS Consultoria em Energias Renov\u00e1veis.\u00a0<a style=\"color: #993300;\" href=\"mailto:ivo@enercons.com.br\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">ivo@enercons.com.br<\/a>\u00a0<a style=\"color: #993300;\" href=\"http:\/\/www.enercons.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-saferedirecturl=\"https:\/\/www.google.com\/url?q=http:\/\/www.enercons.com.br&amp;source=gmail&amp;ust=1715253456246000&amp;usg=AOvVaw1wXEXb87uC4V6wS6lbPshc\">www.enercons.com.br<\/a><\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Ivo Augusto de Abreu Pugnaloni Maio, 2024 &#8211; Em 9 de fevereiro passado publiquei um artigo sobre pesquisa da Universidade da California que estudou mais de 170 mil po\u00e7os em 40 pa\u00edses e encontrou dados alarmantes sobre o rebaixamento do n\u00edvel das reservas de \u00e1gua subterr\u00e2nea em todos os continentes. 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