{"id":24153,"date":"2024-07-23T10:04:41","date_gmt":"2024-07-23T13:04:41","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornaldaconstrucaocivil.com.br\/?p=24153"},"modified":"2024-07-23T10:04:41","modified_gmt":"2024-07-23T13:04:41","slug":"racismo-brasileirol-nordestinos-negros-e-mulheres-sao-maioria-entre-jovens-que-nao-estudam-nem-trabalham-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornaldaconstrucaocivil.com.br\/?p=24153","title":{"rendered":"Racismo brasileirol: Nordestinos, negros e mulheres s\u00e3o maioria entre jovens que n\u00e3o estudam nem trabalham no Brasil"},"content":{"rendered":"<header class=\"entry-header\"><strong>Especialistas destacam vulnerabilidade e falta de oportunidade para jovens dentro deste perfil<\/strong><\/p>\n<\/header>\n<div class=\"post-thumbnail-wrap mb-4\">\n<div class=\"credit text-end fs-75\">\n<div class=\"row\">\n<div class=\"col-12 col-md-8 offset-md-2 col-lg-6 offset-lg-3\">\n<div class=\"entry-meta fs-75\">\n<div class=\"mb-4 roles-wrap\">\n<div class=\"roles d-md-flex justify-content-start align-items-center\">\n<div class=\"d-md-inline-block fw-bold bg-white pe-3 text-center text-md-start\" style=\"text-align: left;\">Por\u00a0<a class=\"text-dark\" href=\"https:\/\/www.agenciatatu.com.br\/author\/gabriel\/\">Gabriel Mileno<\/a>,\u00a0<a class=\"text-dark\" href=\"https:\/\/www.agenciatatu.com.br\/author\/aquino\/\">Thiago Aquino<\/a>\u00a0e\u00a0<a class=\"text-dark\" href=\"https:\/\/www.agenciatatu.com.br\/author\/lucasmaia\/\">Lucas Maia<\/a><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"row\">\n<div class=\"d-none d-md-flex col-md-2 col-lg-3 text-end flex-column\"><\/div>\n<\/div>\n<p>A maioria dos jovens brasileiros entre 15 a 29 anos que n\u00e3o estudam e n\u00e3o trabalham \u00e9 formada por mulheres nordestinas pretas ou pardas. Os dados de 2023 do IBGE revelam que mais de 3,7 milh\u00f5es de jovens do Nordeste n\u00e3o est\u00e3o no mercado de trabalho nem em institui\u00e7\u00f5es de ensino. A regi\u00e3o tem a maior disparidade entre as demais quando os n\u00fameros consideram g\u00eanero, cor e ra\u00e7a.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A Ag\u00eancia Tatu analisou os dados educacionais da Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios Cont\u00ednua (PNADC) do IBGE e constatou que dos 3,7 milh\u00f5es de jovens do Nordeste que n\u00e3o estudam e n\u00e3o trabalham, mais de 2,8 milh\u00f5es s\u00e3o pretos ou pardos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Essa parcela da popula\u00e7\u00e3o \u00e9 conhecida como \u201cNem-nem\u201d, no entanto o termo \u00e9 considerado pejorativo, j\u00e1 que a express\u00e3o pode gerar a interpreta\u00e7\u00e3o de que esses jovens n\u00e3o desejam trabalhar ou estudar. Enquanto, na verdade, o perfil dessa popula\u00e7\u00e3o mostra que algumas caracter\u00edsticas sociais s\u00e3o mais predominantes em jovens sem possibilidade de avan\u00e7ar na sua educa\u00e7\u00e3o e sem renda de trabalhos formais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Propor\u00e7\u00e3o populacional de jovens que n\u00e3o estudam e nem trabalham por regi\u00e3o<\/p>\n<p>De maneira geral, o cen\u00e1rio mais delicado encontra-se no Nordeste. S\u00e3o 29 mil pessoas \u201cNem-nem\u201d a cada 100 mil jovens de 15 a 29 anos da regi\u00e3o. O Norte possui 26 mil a cada 100 mil habitantes, em seguida o Sudeste com 18 mil a cada 100 mil. O Centro-Oeste conta com 16 mil a cada 100 mil habitantes e o Sul com 13 mil a cada 100 mil.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A maior parte das pessoas que n\u00e3o estudam e nem trabalham \u00e9 composta por mulheres, sendo 36 mil mulheres a cada 100 mil jovens de 15 a 29 anos no Nordeste. A regi\u00e3o tem a maior quantidade proporcional de mulheres com esse perfil entre as regi\u00f5es e g\u00eaneros. No Norte s\u00e3o 35 mil mulheres a cada 100 mil jovens e as regi\u00f5es Sudeste e Centro-Oeste est\u00e3o na sequ\u00eancia com 23 mil a cada 100 mil habitantes. Por \u00faltimo, est\u00e1 o Sul com 18 mil mulheres que n\u00e3o estudam e n\u00e3o trabalham a cada 100 mil de 15 a 29 anos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para a cientista pol\u00edtica e professora de Ci\u00eancia Pol\u00edtica da Universidade Federal de Alagoas, Luciana Santana, esses dados sinalizam um risco alarmante de vulnerabilidade de jovens.\u00a0 \u201c\u00c9 mais preocupante que somente a taxa de desocupa\u00e7\u00e3o, uma vez que esses jovens n\u00e3o est\u00e3o nem ganhando experi\u00eancia laboral, nem qualifica\u00e7\u00e3o, o que pode comprometer suas possibilidades ocupacionais no futuro\u201d, afirma a professora.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Quando o recorte se baseia na cor\/ra\u00e7a, as pessoas pretas ou pardas \u201clideram\u201d no Nordeste, sendo 28 mil a cada 100 mil habitantes pretos ou pardos da regi\u00e3o. Em seguida, o Norte aparece com 26 mil pessoas a cada 100 mil habitantes pretas ou pardas, 18 mil a cada 100 habitantes neste recorte no Sudeste, 16 mil a cada 100 mil habitantes no Centro-Oeste e, por fim, o Sul que tem somente 13 mil habitantes pretos ou pardos categorizados como \u201cNem-nem\u201d a cada 100 mil habitantes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mulher \u00e9 maioria entre os que n\u00e3o estudam nem trabalham<\/p>\n<p>Os dados tamb\u00e9m evidenciam a\u00a0 predomin\u00e2ncia das mulheres nordestinas entre os jovens que nem estudam, nem trabalham, j\u00e1 que dos mais de 3.7 milh\u00f5es de jovens entre 15 e 29 anos com esse perfil, mais de 2,3 milh\u00f5es s\u00e3o mulheres. Isso representa aproximadamente 62,16% dos\u00a0 nordestinos nessa condi\u00e7\u00e3o, refor\u00e7ando a desigualdade de g\u00eanero e oportunidade para as mulheres que, muitas vezes, precisam abandonar seus estudos e trabalhos para cuidar da casa e da fam\u00edlia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Carolina Maria de Jesus* tem 22 anos e nunca trabalhou formalmente. Aos 17 anos teve que abandonar o Ensino M\u00e9dio para cuidar da m\u00e3e e, posteriormente, se casou. Desde ent\u00e3o, n\u00e3o voltou mais \u00e0 sala de aula. Saiu do munic\u00edpio de Vi\u00e7osa, em Alagoas, e foi morar com o marido em um povoado do munic\u00edpio de Santana do Munda\u00fa, a 100km de Macei\u00f3. Hoje, com um filho de 4 anos e outro de 6 meses, se dedica aos afazeres dom\u00e9sticos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cQueria muito estudar mas n\u00e3o tem como, porque moro muito distante de escolas. Se tivesse pelo menos uma creche onde meus filhos pudessem ficar, seria bom para que eu pudesse concluir os estudos ou at\u00e9 trabalhar\u201d, lamenta Carolina.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Desigualdade de g\u00eanero<\/p>\n<p>Joyce Martins, professora de Ci\u00eancia Pol\u00edtica da Ufal, refor\u00e7a a vis\u00e3o machista que a sociedade e o mercado de trabalho ainda t\u00eam da mulher. \u201cEssa an\u00e1lise de que a maioria dos nordestinos que n\u00e3o estudam e n\u00e3o trabalham s\u00e3o mulheres, muito provavelmente est\u00e1 relacionado a essa vis\u00e3o de que o trabalho da mulher \u00e9 o trabalho de cuidado e que na nossa sociedade nem como trabalho \u00e9 visto. Como uma obriga\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica, uma obriga\u00e7\u00e3o da natureza e cada vez que a mulher tenta sair da\u00ed ela \u00e9 violentada\u201d, detalha.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A cientista pol\u00edtica, Luciana Santana, refor\u00e7a que a rela\u00e7\u00e3o da ocupa\u00e7\u00e3o da mulher no mercado est\u00e1 mais voltada aos trabalhos de cuidado e h\u00e1 ainda muita desigualdade de g\u00eanero.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cNesses espa\u00e7os de trabalho de forma\u00e7\u00e3o, a gente consegue observar que tem um aspecto de g\u00eanero muito forte. N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que j\u00e1 vem-se discutindo sobre a desigualdade de g\u00eanero no pa\u00eds, que \u00e9 gritante. Ainda em pleno s\u00e9culo 21 as mulheres s\u00e3o as maiores respons\u00e1veis pelo cuidado de uma forma geral. \u00c0s vezes n\u00e3o s\u00e3o nem registradas formalmente\u201d, detalha a cientista pol\u00edtica.<\/p>\n<p><strong>Estuda e trabalha<\/strong><\/p>\n<p>Os dados de pessoas, entre 15 e 29 anos, que estudam e trabalham \u00e9 de 7,4 milh\u00f5es de pessoas em todo o pa\u00eds, entretanto, o quantitativo \u00e9 menor na regi\u00e3o Nordeste, em que apenas 11 mil a cada 100 mil pessoas desta faixa et\u00e1ria estudam e trabalham. S\u00e3o 1,4 milh\u00f5es de pessoas que se encontram simultaneamente ocupadas no ambiente formal de trabalho e no escolar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>As demais regi\u00f5es apresentam quantitativos maiores. Na melhor condi\u00e7\u00e3o, a regi\u00e3o Sul, conta com 21 mil pessoas trabalhando e estudando a cada 100 mil habitantes da regi\u00e3o. Seguido pelas regi\u00f5es Centro-Oeste, Sudeste e Norte, com 19 mil, 17 mil e 14 mil a cada 100 mil habitantes ocupados em ambas as \u00e1reas.<\/p>\n<p>A jovem Mycaelly Jeniffer mora em Macei\u00f3 e concilia os estudos do curso de Direito, com o trabalho como servidora p\u00fablica. A maceioense mora com a m\u00e3e e a irm\u00e3 e explica que trabalhar desde os 18 anos n\u00e3o foi uma escolha, mas uma necessidade, j\u00e1 que s\u00f3 a m\u00e3e era respons\u00e1vel por sustentar a fam\u00edlia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cEm 2021, estava concluindo o Ensino M\u00e9dio e recebi uma proposta de emprego. Eu n\u00e3o queria porque minha vontade era s\u00f3 me dedicar ao Enem, mas no meio de pandemia a situa\u00e7\u00e3o na minha casa come\u00e7ou a apertar e precisei trabalhar para ajudar em casa. J\u00e1 cheguei a trabalhar o dia todo, revendo material de estudo s\u00f3 no fim de semana, mas consegui est\u00e1gio remunerado e hoje consigo conciliar melhor\u201d, detalha Mycaelle, que \u00e9 bolsista pelo Prouni.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>* Na mat\u00e9ria produzida pela Ag\u00eancia Tatu, foi utilizado um nome fict\u00edcio para preservar a integridade da pessoa entrevistada. Este procedimento foi adotado em conformidade com as diretrizes \u00e9ticas do ve\u00edculo e com o consentimento da parte envolvida.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Especialistas destacam vulnerabilidade e falta de oportunidade para jovens dentro deste perfil Por\u00a0Gabriel Mileno,\u00a0Thiago Aquino\u00a0e\u00a0Lucas Maia A maioria dos jovens brasileiros entre 15 a 29 anos que n\u00e3o estudam e n\u00e3o trabalham \u00e9 formada por mulheres nordestinas pretas ou pardas. 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