Cuidados no ambiente de trabalho: L.E.R. (Lesões por Esforço Repetitivo).

Por Rafel Brasiel Rinaldi

Rio, Março, 2018 – É uma síndrome, não considerada uma doença, constituída por um grupo de doenças como tendinite, tenossinovite, bursite, epicondilite, síndrome do túnel do carpo, dedo em gatilho, síndrome do desfiladeiro torácico, síndrome do pronador redondo, mialgias. Afeta músculos, nervos e tendões dos membros superiores principalmente, e sobrecarrega o sistema musculoesquelético. Esse quadro provoca dor e inflamação podendo alterar a capacidade funcional da área comprometida. Possui maior prevalência no sexo feminino.

Outros nomes: D.O.R.T. (Distúrbio Osteomuscular Relacionado ao Trabalho), L.T.C. (Lesão por Trauma Cumulativo), A.M.E.R.T. (Afecções Musculares Relacionadas ao Trabalho) ou síndrome dos movimentos repetitivos.

A causa vem por mecanismos de agressão, que vão desde esforços repetidos continuadamente ou que exigem determinada força na sua execução, considerando também vibração, postura inadequada e estresse.

A terminologias foram associadas a uma doença ocupacional, declarando assim que existem profissionais expostos a maior risco: Profissionais que trabalham com computadores, digitação, em linhas de montagem e de produção, operadores de britadeiras, até mesmo músicos, esportistas, trabalhadores manuais, por exemplo tricô e crochê.

Os principais sintomas são dor nos membros superiores e nos dedos, dificuldade para movimentá-los, formigamento, fadiga muscular, alteração da temperatura e da sensibilidade, redução na amplitude do movimento e inflamação.

O diagnóstico é basicamente clínico, é preciso determinar a causa dos sintomas para determinar o tratamento adequado. Se necessário recorrer a uma avaliação multidisciplinar.

É preciso entender que em muitas das vezes esses sintomas estão relacionados a uma atividade inadequada ou até mesmo excesso. No caso é necessário destacar e diferenciar os detalhes.

Quanto ao tratamento, nas crises agudas de dor, inclui o uso de anti-inflamatórios e repouso das estruturas musculoesqueléticas afetadas.

Nas fases mais avançadas a aplicação de corticóides na área da lesão ou por   via oral. Fisioterapia e intervenção cirúrgica são recursos terapêuticos que não são descartados.

Precauções:

Um modo de prevenção é a ergonomia, ciência que estuda a melhor forma de atingir e preservar o equilíbrio entre o homem (operadores) e máquinas (ferramentas de trabalho) e ainda as condições de trabalho e o ambiente com o intuito de assegurar maior eficiência no processo:

Ainda, manter as costas eretas, apoiadas num encosto confortável e os ombros relaxados enquanto estiver trabalhando sentado:

Assegurar que os punhos não estejam dobrados. A cada intervalo de tempo levante-se, ande um pouco e faça alongamentos;

Confira se a cadeira e/ou banco em que se senta para trabalhar sejam adequados ao tipo de atividade que você exerce;

L.E.R. não é uma síndrome exclusiva de pessoas que trabalham em funções determinadas. O lazer durante horas a fio, lembre-se do excesso e sobrepeso, também sujeita a desenvolver o distúrbio;

Qualquer região do corpo pode ser afetada por L.E.R. desde que seja exposta a mecanismos de traumas contínuos.

O artigo 5º da CF/88, o CC e a CLT protegem a integridade física da pessoa e do trabalhador, assim como asseguram medidas que reduzam os riscos inerentes ao trabalho por meio de normas de saúde, higiene e segurança.

Sendo assim, se o trabalhador perceber sinais de LER deve procurar um médico e diagnosticar as causas.

Rafael Brasiel Rinaldi, Médico Ortopedista e Traumatologista

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