O que explica o avanço do Design & Build nos projetos corporativos

*Por Maria Angela Polo, CEO da We Are Group*

Quando uma obra corporativa atrasa ou ultrapassa o orçamento, é comum que a responsabilidade recaia sobre a execução. Mas, na prática, muitos desses problemas começam antes mesmo da mobilização do canteiro. Eles surgem no modelo de contratação escolhido para o projeto.

É nesse momento que se define a velocidade das decisões, o alinhamento entre as equipes, a previsibilidade financeira e, principalmente, a capacidade de entregar um ambiente pronto para operar dentro do prazo esperado pelo negócio.

Essa discussão ganhou ainda mais relevância à medida que as empresas passaram a tratar seus escritórios, lojas e unidades operacionais como ativos estratégicos. Em projetos de expansão, consolidação ou retrofit, o tempo de entrega deixou de impactar apenas a engenharia. Ele interfere diretamente na operação, na geração de receita e na experiência dos colaboradores e clientes. Por isso, cada vez mais empresas estão revendo a forma como contratam suas obras.

O modelo Design & Build vem ganhando espaço justamente porque reduz uma das principais causas de ineficiência nos projetos corporativos: a fragmentação das responsabilidades. Em vez de diferentes empresas atuando de forma isolada, projeto e execução passam a ser conduzidos de maneira integrada, com objetivos comuns desde o início do empreendimento.

Mas existe um ponto importante que ainda gera confusão no mercado. Muitas vezes, Design & Build é entendido apenas como um contrato único. Na minha visão, o verdadeiro diferencial está em outro aspecto: preservar a independência técnica entre arquitetura e engenharia, permitindo que cada disciplina contribua com aquilo que faz melhor.

A arquitetura tem a missão de traduzir a estratégia do cliente em espaços funcionais, alinhados à cultura da empresa e à experiência das pessoas. A engenharia garante que essa visão seja executada com rigor técnico, controle financeiro e previsibilidade.

Quando essas duas competências trabalham de forma integrada, mas sem que uma esteja subordinada à outra, surge um ambiente de colaboração que melhora a qualidade das decisões ao longo de toda a obra. Costumo chamar isso de uma “tensão positiva”: diferentes especialistas analisando o mesmo desafio sob perspectivas complementares, sempre com o foco no melhor resultado para o cliente.

Na prática, é esse equilíbrio que reduz retrabalhos, acelera definições e evita que decisões importantes sejam tomadas apenas sob a ótica do custo ou apenas sob a ótica do projeto.

Os estudos reforçam essa percepção. Pesquisas do Construction Industry Institute (CII) mostram que projetos conduzidos em Design-Build apresentam melhor desempenho em custo, prazo e produtividade quando comparados ao modelo tradicional de contratação. Já levantamentos da Federal Highway Administration (FHWA) apontam reduções médias de aproximadamente 14% no prazo de execução e 2,6% nos custos em projetos realizados nesse formato.

Ao mesmo tempo, um estudo clássico da McKinsey & Company revela um cenário preocupante para a construção como um todo: grandes projetos costumam levar cerca de 20% mais tempo para serem concluídos do que o planejado e podem ultrapassar o orçamento em até 80%, dependendo da complexidade do empreendimento. Embora esses números não sejam exclusivos de obras corporativas, eles evidenciam um problema recorrente no setor: a falta de integração entre planejamento e execução.

No dia a dia, vemos isso acontecer com frequência. Empresas acreditam que precisam ampliar áreas, mudar de endereço ou aumentar investimentos quando, na realidade, o principal desafio está na coordenação entre as disciplinas e na forma como o projeto é conduzido. Quando arquitetura, engenharia e gestão da obra trabalham alinhadas desde o início, muitas decisões deixam de ser reativas e passam a ser estratégicas.

O ganho não está apenas em entregar uma obra mais rapidamente. Está em reduzir incertezas, minimizar riscos e dar previsibilidade para que a empresa possa concentrar seus esforços no próprio negócio.

Em um cenário em que velocidade, eficiência e controle financeiro se tornaram diferenciais competitivos, discutir apenas acabamento, cronograma ou orçamento já não é suficiente. O sucesso de uma obra corporativa começa muito antes da execução.

Ele começa na escolha do modelo de contratação. E talvez essa seja a decisão mais estratégica de todo o projeto. Porque, no fim, construir é consequência. O verdadeiro diferencial está em estruturar um processo capaz de transformar um investimento em um ativo que gere valor para o negócio desde o primeiro dia de operação.

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