De Arquiteto para Arquiteto: Raio X dos softwares inteligentes nos projetos arquitetônicos

Por Severian Rocha

Agosto, 2026 – Acompanhando o avanço das diversas tecnologias utilizadas no dia a dia, do ambiente de trabalho e no uso individual das pessoas percebemos diferentes funções e aplicabilidades dos softwares inteligentes ajudando em muito no desenvolvimento da qualidade e eficiência dos projetos de Arquitetura, Engenharia e Construção (AEC), no exterior e também no Brasil.

Em destaque no mercado internacional, estivemos na capital paulista visitando a Graphisoft, uma empresa de tecnologia húngara que ajuda equipes a projetar grandes edifícios por meio de soluções de software apoiadas por Inteligência Artificial, programas de aprendizagem e serviços profissionais voltados à indústria AEC. Suas soluções e serviços premiados apoiam o conceito openBIM, promovendo maior transparência nos fluxos de trabalho, longevidade dos dados e acessibilidade das informações dos ativos construídos.

Diego Villela Vargas, diretor de vendas da Graphisoft Brasil, conversou com nossa equipe sobre a Graphisoft, empresa pioneiros e produtores dos softwares Archicad, MEP Designer, BIMcloud e BIMx. É lógico do gigantesco mercado brasileiro e das suas oportunidades.

 O Mercado Brasileiro e a Herança de Niemeyer

Jornal da Construção Civil – E como vocês enxergam o potencial do Brasil nesse mercado?

Diego Villela Vargas: O Brasil é muito conhecido mundialmente pela arquitetura. Desde Oscar Niemeyer, lá em 1960 com Brasília… quando viajo para a nossa matriz na Europa e pergunto por que escolheram o Brasil para ser uma subsidiária, eles sempre dizem: “O Brasil é famoso, queremos estar próximos dessa arquitetura grandiosa que vocês fazem”.

Nosso slogan é “Empoderar o arquiteto para fazer um projeto melhor”. O Brasil está muito evoluído nisso.

 Inteligência Artificial e Novas Fronteiras

Jornal da Construção Civil – Como a IA está na empresa de vocês?  

Diego Villela Vargas – Hoje já conseguimos utilizar o Apple Vision Pro e muitas ferramentas de Inteligência Artificial. O foco para frente está na IA, não só para facilitar a visualização do cliente final, mas também nas automações de trabalho do arquiteto. O projeto é só a ponta do iceberg; por trás tem documentação e prefeitura, e a IA vai ajudar muito nesses processos.

Software Inteligentes

Jornal da Construção Civil – Como é fazer projetos com os softwares de vocês?

Diego Villela Vargas – A utilização do nosso software, da nossa tecnologia na arquitetura, é um caminho longo. Se pararmos para pensar, até a década de 90 os arquitetos faziam muito no papel, na mão. A partir da década de 90, surgiram softwares CAD. O nosso software já existia desde 1984 — foi o primeiro software BIM do mercado. Uma empresa húngara que já tem mais de 40 anos de estrada.

Então, desde que veio a primeira digitalização pelo CAD, surgiu o modelo BIM lá no final dos anos 2000. Nós fomos o primeiro software que já nasceu BIM. Quando você projeta seus modelos, eles já carregam a informação. Ao fazer uma parede, ela já traz quantitativos, quantidade de tijolos, massa, pintura, textura… tudo isso é importante.

Estar aqui em uma feira de revestimentos e no meio da arquitetura é fundamental. Com essas empresas, a gente consegue conversar e dizer: “Olha, você deveria colocar seu revestimento ou textura dentro do Archicad para facilitar o trabalho dos arquitetos”. Com a tecnologia, facilitamos o trabalho, a visualização do cliente e a interação.

 O Diferencial: De Arquiteto para Arquiteto

Jornal da Construção Civil – O que o Archicad traz de diferente para o dia a dia?

Diego Villela Vargas: O nosso diferencial é que somos focados no arquiteto. Nosso outro slogan era “De arquiteto para arquiteto”. Dentro da Graphisoft, os desenvolvedores são arquitetos. Pensamos como o arquiteto pensa. É um software muito mais maleável, intuitivo e com uma curva de aprendizado mais fácil do que softwares focados apenas em engenharia ou construção pesada. O arquiteto precisa estar livre para criar e alterar ao longo do projeto.

Educação e o Programa de Embaixadores

Jornal da Construção Civil –  E sobre a formação dos novos profissionais?

 Diego Villela Vargas: O Brasil tem mais de 270 mil arquitetos registrados no CAU e cerca de 220 mil em atividade. É um dos países com mais arquitetos ativos no mundo. Nosso foco é criar dentro das universidades um canal de desenvolvimento.

Temos o programa de Embaixadores na Universidade: pegamos dois estudantes por universidade, eles aprendem o Archicad e divulgam internamente, podendo até dar aulas. Os estudantes hoje estão muito interessados em tecnologia; eles querem o que há de melhor para o futuro trabalho deles.

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