Projeto instalado na CASACOR Minas propõe diálogo entre ancestralidade indígena e aço de baixa emissão de carbono
Belo Horizonte – Na edição de 2026 da CASACOR Minas, a ArcelorMittal e o escritório BCMF Arquitetos voltaram a provocar os limites da arquitetura, do design e da construção civil com o Pavilhão OCA ArcelorMittal. Instalado nos jardins históricos tombados da PUC Minas Lourdes, o espaço propõe um diálogo entre ancestralidade, inovação, fabricação digital e sustentabilidade. O Pavilhão será entregue como legado à PUC Minas, em cerimônia com a presença da diretoria da ArcelorMittal, PUC Minas, CASACOR Minas e parceiros do projeto, no próximo dia 11 de setembro, às 9h30.
Com estrutura aberta de 160m², o pavilhão inverte a lógica da construção ao transformar o vergalhão de aço – tradicionalmente oculto – no protagonista visual do projeto. Inspirado no arquétipo da oca indígena brasileira, o projeto rejeita réplicas literais para resgatar o conceito de abrigo coletivo e integrado à natureza. O grande destaque do espaço é a inversão poética e técnica de um dos materiais mais universais da arquitetura: o vergalhão de aço.
Aço sustentável – Tradicionalmente utilizado como estrutura invisível dentro do concreto armado, o vergalhão da ArcelorMittal assume aqui o papel de elemento estético. A abóbada curva – que remete tanto às tramas de cestaria indígena (arte milenar de trançar fibras naturais para criar objetos utilitário) quanto às icônicas abóbadas do modernismo de Oscar Niemeyer – utiliza 2,3 toneladas do aço XCarb®. Produzido com 100% de sucata metálica e 100% de energia elétrica renovável, o material contribui para a redução da pegada de carbono na construção civil e é ativo chave da estratégia de descarbonização da empresa.
O projeto dialoga diretamente com o atual posicionamento de marca da ArcelorMittal, que reforça a relevância do aço feito no Brasil para o desenvolvimento do país e para diferentes setores da economia nacional. Everton Negresiolo, CEO da ArcelorMittal Aços Longos LATAM, ressalta que o pavilhão traduz a versatilidade do aço e suas inúmeras aplicações no cotidiano e na construção do Brasil.
“O Pavilhão OCA ArcelorMittal traduz aquilo que buscamos construir como empresa: soluções que ultrapassam os limites da indústria e geram impacto positivo para a sociedade. Ao contribuir para a criação deste espaço, entregamos um legado para Belo Horizonte, para a comunidade acadêmica e para todos aqueles que acreditam na inovação como caminho para o desenvolvimento sustentável. O aço presente nesta estrutura não é apenas um material construtivo; ele simboliza a capacidade de transformar conhecimento em soluções concretas, conectando indústria, arquitetura e educação para pensar as cidades do futuro. Esperamos que ele inspire as novas gerações”, avalia Negresiolo.
A estrutura de 20 metros de comprimento, oito metros de largura e quatro metros de altura é composta por 80 arcos principais de vergalhões de 20 mm calandrados em serralheria. Essa trama metálica permeável filtra a luz natural, produz sombras dinâmicas e elimina a necessidade de fechamentos convencionais. “Sempre vimos o vergalhão de aço atuando de forma oculta. No Pavilhão OCA, nós invertemos essa lógica e tiramos essa estrutura da sombra para transformá-la na própria arquitetura. A trama curva revela a essência estrutural da forma, evocando a cestaria ancestral ao mesmo tempo em que torna visível aquilo que ficava escondido nas grandes abóbadas do modernismo brasileiro, como as de Niemeyer”, explica Silvio Todeschi, sócio do BCMF Arquitetos.
Fabricação digital e legado urbano – O Pavilhão OCA ArcelorMittal aproxima tecnologias separadas por séculos de história. No mesmo local estão a alta tecnologia do aço XCarb®, a fabricação digital em 3D e o conceito milenar de espaço comunitário da oca.
A base da obra é formada por uma infraestrutura contínua de bancos, jardineiras e elementos de ancoragem produzidos por impressão 3D em concreto especial (sem brita), desenvolvida em parceria com a startup mineira Cosmos 3D. A tecnologia permitiu criar peças orgânicas de alta resistência e impermeabilidade que funcionam simultaneamente como mobiliário urbano e fundação para os arcos de aço.
Após o término da CASACOR Minas, a estrutura permanecerá integrada ao campus da PUC Minas, servindo como auditório aberto, espaço para aulas ao ar livre, eventos culturais e convivência diária para a futura Escola de Arquitetura e Urbanismo da instituição. Ao longo do tempo, a vegetação deve ocupar a trama de aço, integrando em definitivo o pavilhão aos jardins.
21 anos de parceria – A ArcelorMittal completa 21 anos de presença na CASACOR Minas, como o aço oficial da mostra. Ao longo dessas duas décadas, a produtora de aço utiliza os espaços do evento para experimentar sistemas construtivos, desafiar o uso tradicional dos materiais e antecipar tendências da arquitetura contemporânea.

