Em encontro promovido pela Gedanken, lideranças e especialistas do setor debatem como a falta de dados sobre fornecedores afeta metas ambientais e apontam a cooperação como saída.
Outubro, 2026 – O avanço das metas de sustentabilidade nas grandes construtoras e incorporadoras do país esbarra na falta de padronização e de dados confiáveis sobre a cadeia de fornecedores. A dificuldade em mensurar os impactos socioambientais na ponta inicial da produção tem mobilizado executivos e especialistas do setor.
Em recente encontro promovido pela Gedanken, líder em tecnologia para homologação de fornecedores e na gestão de riscos com credibilidade e segurança, profissionais das áreas de suprimentos e sustentabilidade se reuniram para debater soluções conjuntas e alinhar critérios de governança em todo o ecossistema da construção civil.
De acordo com esses especialistas, o maior desafio enfrentado pelas empresas do segmento está na mensuração do chamado Escopo 3, indicador responsável por contabilizar as emissões indiretas de carbono geradas ao longo de toda a cadeia de valor. Sem o acesso a dados mínimos sobre processos produtivos, gestão de resíduos e pegada ambiental dos fornecedores de matéria-prima, a medição precisa do impacto ambiental das obras torna-se inviável, o que compromete diretamente o cumprimento de metas corporativas e compromissos globais de descarbonização.
“Atuar na gestão de risco da cadeia de suprimentos exige mais do que apenas checar conformidades; exige criar um ecossistema transparente. Quando as empresas do setor passam a exigir critérios mínimos de governança com base em dados auditáveis, eliminamos a cegueira sobre o Escopo 3 e elevamos a maturidade de todo o mercado de construção civil”, destaca Lucas Madureira, co-CEO da Gedanken.
Durante o encontro, a avaliação dos profissionais indica um cenário de forte assimetria no mercado. Enquanto algumas empresas possuem processos estruturados de avaliação socioambiental, outras ainda enfrentam lacunas na checagem de conformidade dos parceiros. Somado a isso está a fragmentação de informações vitais, que hoje se encontram dispersas entre fabricantes e distribuidoras, dificultando a gestão de riscos e a tomada de decisões estratégicas por parte dos departamentos de suprimentos.
Segundo Thais Bressan, analista de suprimentos da MRV, a complexidade também passa por mostrar aos fornecedores que a adequação às normas ESG não é apenas uma exigência burocrática, mas uma alavanca de crescimento. “Existe uma oportunidade de ganho real para o próprio fornecedor, para que ele se desenvolva e consiga trabalhar com as grandes empresas, crescendo junto com o setor. É a chance de criar um vínculo maior até mesmo entre concorrentes para trazer parceiros de mais qualidade para o mercado”, explica Bressan.
Atuação em conjunto
Diante desses entraves, ganha força no mercado a percepção de que exigências isoladas de cada construtora sobrecarregam a ponta fornecedora sem gerar a eficiência necessária. Para os especialistas da área, a saída apontada passa por uma abordagem colaborativa focada na manutenção de metas consistentes e na mudança cultural de todo o ecossistema.
Rodolfo Romaniello Cardoso, Analista de Sustentabilidade na GS Inima Brasil destaca que existem empresas mais avançadas e outras menos avançadas na parte de avaliação de fornecedores e segundo ele, é um gap geral no setor. “Tendo uma atuação em conjunto, com cada empresa trazendo sua expertise para compartilhar informações e critérios, teremos um resultado muito positivo para o desenvolvimento sustentável da construção civil”, pontua Cardoso.
Já o especialista em suprimentos da MRV, Marcelo Rodrigo, afirma que é fundamental que as pessoas entendam que estão no mesmo ecossistema. “Precisamos mudar o mindset internamente e externamente, ter consistência com os nossos objetivos e não desistir diante das primeiras dificuldades. Isso é vital para a sobrevivência de todos nós, tanto fornecedores quanto construtoras ”, reforça.
Com a percepção de que a sustentabilidade do setor depende da estabilidade e integridade de todo o ecossistema, a expectativa é que o alinhamento de diretrizes e o compartilhamento de dados se tornem a base para uma operação mais segura, transparente e competitiva na construção civil.
“Construir uma cadeia mais sustentável não é um esforço isolado, mas uma jornada coletiva que depende de confiança, critérios claros e tecnologia. À medida que unificamos esses parâmetros, não apenas reduzimos riscos operacionais e ambientais, mas também geramos valor real para toda a indústria”, finaliza o executivo da Gedanken.

