No Rancho do Peixe, palha de carnaúba, madeira e peças produzidas na própria pousada valorizam a identidade do Preá e aproximam o hóspede da cultura regional
A palha de carnaúba protege do sol. A madeira dá forma aos espaços. O vento atravessa os ambientes. Na Praia do Preá, no litoral oeste do Ceará, a arquitetura do Rancho do Peixe parte dos materiais e dos saberes da região para criar uma hospedagem que preserva a conexão com o lugar. Dos bangalôs aos objetos que compõem os interiores, os detalhes expressam a relação entre natureza, cultura e acolhimento.
A proposta dialoga com uma tendência da arquitetura contemporânea: recuperar conhecimentos construtivos tradicionais e incorporá-los a projetos atentos ao clima e à identidade dos territórios. É uma aproximação com a arquitetura vernacular, que reúne soluções desenvolvidas pelas comunidades ao longo de gerações, a partir dos recursos disponíveis e das condições de cada região.
Nesse olhar, a escolha de um material vai além da aparência. Importam sua origem, a maneira de trabalhar com ele, sua manutenção e sua adequação ao ambiente. O conhecimento de artesãos e trabalhadores locais participa das decisões e ajuda a manter vivas técnicas e referências culturais.
No Rancho do Peixe, os bangalôs de madeira, cobertos com palha de carnaúba e construídos sobre decks suspensos, traduzem essa relação. As aberturas favorecem a circulação natural do ar, e as acomodações dispensam ar-condicionado. A sombra da cobertura e a passagem da brisa fazem parte da experiência de conforto.
Com projeto arquitetônico de autoria de Gui Mattos, o conjunto incorpora referências regionais à hospedagem. As varandas com redes e espreguiçadeiras ampliam os espaços de descanso e mantêm o visitante próximo da paisagem, entre a praia e o coqueiral.

A identidade mora nos detalhes
Dentro dos bangalôs, a mesma proposta ganha uma escala mais íntima. Camas, lustres, abajures e pias são produzidos na própria pousada. Funcionários e artesãos locais participam da criação das peças, com materiais regionais e reaproveitados que ajudam a definir a personalidade dos ambientes.
A proximidade entre criação e execução permite desenvolver objetos para as necessidades de cada espaço. Texturas, formas e acabamentos revelam o trabalho das mãos e dão continuidade à arquitetura. O hóspede encontra referências do Preá naquilo que toca, utiliza e observa durante a estadia.
“Valorizar a cultura local é uma oportunidade de vivenciar a poesia nos detalhes. Na escolha dos materiais, no trabalho dos artesãos e em cada peça criada aqui, há uma história do lugar. A poesia desperta sentimento, e o sentimento inspira cuidado. Queremos que o hóspede sinta essa conexão e faça parte da preservação das memórias, da cultura e da natureza que tornam o Preá único”, afirma Morgana Masetti, sócia do Grupo e* e uma das responsáveis pela criação do projeto do Rancho do Peixe.

Essa valorização reconhece os moradores como detentores de conhecimentos que contribuem para a identidade do empreendimento. O saber sobre a madeira, o trabalho com as fibras e a criação artesanal integram a experiência oferecida ao visitante.
Distribuídos entre a praia e o coqueiral, os 26 bangalôs mantêm a paisagem presente no cotidiano. A luz natural, o movimento das folhas e o som do mar acompanham os ambientes. A arquitetura oferece abrigo e, ao mesmo tempo, convida a perceber o que existe ao redor.

