Membrana com borracha de pneu reciclada amplia opções para impermeabilizar lajes e áreas molhadas

DryPneu, da Dryko Impermeabilizantes, é aplicado a frio em três ou quatro demãos e reaproveita cerca de sete pneus a cada 100 metros quadrados, segundo a empresa

Novembro, 2026 – A borracha de pneus inservíveis, já usada na pavimentação, passou a entrar também na impermeabilização de edificações. A Dryko Impermeabilizantes, fabricante com sede e fábrica em Itaquaquecetuba (SP), lançou o DryPneu, membrana híbrida que combina copolímeros acrílicos, poliuretano e borracha microtriturada obtida da reciclagem de pneus. De acordo com a empresa, cada 100 metros quadrados aplicados reaproveitam cerca de sete pneus. O produto foi apresentado na Construsul 2026, realizada de 4 a 7 de agosto em Porto Alegre (RS), entre cinco lançamentos da marca.

Aplicação e desempenho

O DryPneu vem pronto para uso, em um só componente, e é aplicado a frio, sem diluição, em três ou quatro demãos. Depois da cura, forma uma membrana contínua, com resistência aos raios ultravioleta e ao envelhecimento e com aspecto de acabamento antiderrapante. Conforme atesta a Dryko, a borracha contribui com a elasticidade, que ajuda a membrana a acompanhar a movimentação da estrutura, e a fórmula dispensa solventes.

A membrana pode ser aplicada sobre concreto, argamassa, alvenaria, placas cimentícias, drywall e telhas metálicas e de fibrocimento. A indicação inclui banheiros, cozinhas, lavanderias, terraços, varandas e lajes de cobertura.

Para Marcelo Ming, diretor de vendas e desenvolvimento técnico, a origem do material não substitui o critério técnico. “A escolha de um impermeabilizante continua sendo, antes de tudo, uma escolha técnica a partir de função e desempenho”, afirma. “O que mudou é que hoje é possível cobrir totalmente a funcionalidade e entregar qualidade e, ao mesmo tempo, dar destino a um resíduo que ficaria sem uso.”

Indicadores ambientais no setor

Empresas de construção civil recorrem à tecnologia, nos processos e nos materiais, para atender a metas ambientais. Segundo o Estudo da Construção Civil 2026, da plataforma Mereo, 91% das empresas do setor já têm indicadores estruturados para os três pilares de ESG, sigla em inglês para ambiental, social e governança. O uso de energias renováveis e a redução de emissões de carbono seguem como desafios, e a adesão a métricas de transição energética é baixa, segundo o estudo.

Na 26ª edição do Prêmio CBIC de Inovação e Sustentabilidade, 65% dos 95 projetos inscritos combinavam inovação e sustentabilidade, de acordo com a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). Os projetos vieram das cinco regiões do País e de 17 unidades da Federação, e 71% deles têm contribuições ambientais ou sociais, segundo a entidade.

Resíduos e regulação

A destinação de resíduos é uma das frentes dessa agenda. O País gera mais de 100 milhões de toneladas de resíduos de construção e demolição por ano, segundo o Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil 2025, da Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente (Abrema). A Resolução Conama 307 responsabiliza os geradores pela destinação desses resíduos e os separa em classes. A Classe A reúne materiais reutilizáveis ou recicláveis como agregados, entre eles concreto, tijolos, blocos, argamassa e solos de terraplanagem, e a Classe B inclui plásticos, papel, metais, vidros, madeira e gesso.

No plano federal, o Plano Nacional de Economia Circular foi aprovado pelo Fórum Nacional de Economia Circular em 8 de maio de 2025, com 18 macro-objetivos e 71 ações para o período de 2025 a 2034, com foco no uso eficiente de recursos naturais e na redução de impactos ambientais.

Borracha de pneu em obras

Na pavimentação, a borracha de pneus inservíveis é usada no chamado asfalto-borracha. Em 2025, a Motiva Paraná, concessionária responsável por 569 quilômetros de rodovias no Estado, aplicou o insumo produzido pela Greca Asfaltos em cerca de 119 quilômetros de estradas, o que corresponde a 752 toneladas de borracha reciclada, ou 86,7 mil pneus inservíveis. Em março de 2026, a SPVias, empresa da Motiva no sudoeste paulista, iniciou um programa de pavimentação da malha sob concessão, com investimento previsto de R$ 1 bilhão em 48 meses, que inclui asfalto-borracha feito com pó de pneus inservíveis misturado ao cimento asfáltico de petróleo.

Na impermeabilização, o uso é mais recente. “O DryPneu mostra o caminho que queremos seguir cada vez mais”, diz Romeu Martinelli, CEO da Dryko, “que é resolver um problema técnico do cliente com um produto de excelência, com valor agregado para o construtor e atrelado à sustentabilidade”.

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